Mateus Carrieri
Reprodução: iG Minas Gerais
Mateus Carrieri


O ator Mateus Carrieri, de 54 anos, passou por um procedimento de raspagem da próstata na última segunda-feira (17).  Em suas redes sociais, o artista disse que teve uma hiperplastia e, por conta disso, precisou fazer uma raspagem no órgão para diminuí-lo de tamanho. Ao iG Saúde, os médicos urologistas Denilson Santos Custódio, Marcello Schettino e Fernando Marsicano explicam mais sobre a condição.

A Hiperplasia Prostática Benigna, também conhecida como HPB, é o aumento da próstata, uma condição comum com o envelhecimento dos homens.

"Estima-se que ocorra em cerca de 50% dos homens entre 51 e 60 anos. Contudo, pode chegar até 90% dos homens com mais de 80 anos. Como o canal uretral passa pelo meio da próstata, o aumento do órgão pode ocasionar problemas ou desconfortos urinários, necessitando de intervenção cirúrgica. Estima-se que cerca de 30% dos homens com crescimento da próstata vão precisar de algum tratamento cirúrgico", explicou Custódio.

Foi por isso que Carrieri passou pelo procedimento de ressecção endoscópica, que é utilizada para tratamento da obstrução do canal urinário quando ocorre o crescimento benigno da próstata. "O procedimento ainda pode ser utilizado em casos de câncer com obstrução ao fluxo de urina. O objetivo é principalmente desobstruir o canal urinário e permitir a melhora do ato de urinar", afirma.

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Muitos fãs do ator se preocuparam ao cogitar que ele estivesse com  câncer na próstata -- o que Carrieri mesmo desmentiu. "A hiperplasia prostática é um tipo de doença e o câncer de próstata é outra, a origem é diferente", explica Marsicano. "O procedimento de raspagem normalmente está indicado para esses casos de crescimento benigno, mas também pode ser aplicado em casos de câncer que obstrui a uretra e não está indicado a remoção completa da próstata", completa Custodio.

Sintomas, tratamento e prevenção

Os principais sintomas da Hiperplasia Prostática Benigna são dificuldade para esvaziar a bexiga, jato urinário fino e fraco, ardência para urinar e levantar várias vezes à noite para urinar.

O tratamento depende do tamanho da próstata. "O tratamento medicamentoso é indicado como alternativa inicial, e inclui basicamente dois tipos de fármacos: os alfa-bloqueadores e os inibidores da-5 alfaredutase. O primeiro ajuda a melhorar o fluxo urinário, relaxando a musculatura. Já o segundo atua bloqueando os efeitos hormonais, podendo reduzir até 25% o tamanho da próstata", explica Schettino.

"Já a ressecção endoscópica da próstata (raspagem) é indicada para as próstatas com tamanhos entre 30g e 80g. Nas maiores que 80g, as cirurgias  de enucleação por técnica aberta, a laser (HoLEP), por laparoscopia e robótica são os mais difundidos", complementa Custódio.

Na opinião de Marsicano, o procedimento a laser chamado Green Light é bastante moderno e indicado. "Ele gera menos sangramento, menos complicações e faz com que o paciente tenha uma recuperação mais rápida da cirurgia."

De acordo com os especialistas, nos tratamentos, em geral, as principais complicações são sangramentos durante ou após a cirurgia, infecção urinária e alteração da ejaculação -- "que pode acontecer em até 75% das vezes após a cirurgia", afirma Custódio.




Apesar de não exister uma forma de prevenir o problema, que tem grande influência genética, é importante que o paciente faça controle regular para um diagnóstico precoce. Além disso, Marsicano recomenda que os pacientes melhorarem os hábitos de alimentação, evitando, assim, a obesidade e diabetes.

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