Eduardo Paes
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Eduardo Paes


Apesar de enfrentar o maior pico de casos confirmados de Covid-19 em 2021 e planejar a terceira etapa da imunização em idosos, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), não vê motivo para a implementação de medidas mais rígidas de isolamento social do que as postas em prática atualmente na capital fluminense. Durante debate realizado pela Fecomércio-RJ, nesta segunda-feira (23), Paes disse que pode voltar a proibir atividades, caso os números apresentem grande variação, mas acredita que neste momento "as ações precisam ser terapêuticas".


"Temos números melhores do que a maioria das cidades do mundo que já começaram a reabrir os seus serviços. Vivemos uma mudança no quadro epidemiológico muito recente. Nossas ações precisam ser terapêuticas. Não existe um prefeito negacionista, mas não há espaço para haver medidas excessivamente restritivas. Tudo pode mudar, é claro. Pode haver um agravamento dos casos da variante Delta e, neste caso, tudo mudará. Está claro que a vacina funciona e tem dado as respostas", afirmou.

Paes citou que, neste momento, não há a proibição de nenhuma atividade, como eventos, mas que são necessárias regras para conter grandes aglomerações. De acordo com a Prefeitura, 95% da população adulta do Rio já recebeu a primeira dose da vacina, enquanto 50% da população alvo já passou por duas aplicações do imunizante.

Para especialistas, um dos fatores para o pico de casos pode ser a ação da variante Delta, que já corresponde a mais da metade das ocorrências no município, de acordo com pesquisas de vigilância genômica por amostragem.

Durante o evento, Paes também falou sobre os planos para o carnaval. De acordo com ele, a realização dos festejos só será possível, caso o Rio cumpra a meta de imunização de toda população com as duas doses da vacina até novembro.

"O carnaval é tudo o que a gente quer. Nosso esforço, não só pela cultura, mas também pela economia, é que para que o carnaval, o réveillon e o Rock in Rio possam se realizar. Mas, isso dependerá de toda a população imunizada até novembro. É hora de tratar disso? É sim. Essas festas exigem planejamento, estrutura. Planejamento que, aliás, já está sendo executado. Acredito que não vamos precisar desmarcar", completou.

Terceira dose em setembro

A Prefeitura do Rio iniciará a aplicação da terceira dose da vacina contra a Covid-19 em idosos em setembro. Com a decisão, informada ao GLOBO pelo secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, o município acata uma recomendação que o comitê científico de enfrentamento à Covid-19 (CEEC) fez na manhã desta segunda-feira, em reunião extraordinária.

A ideia da prefeitura é realizar a distribuição do novo reforço de maneira escalonada a todas as pessoas com 60 anos ou mais. A campanha começará pelos asilos e casas de repouso e está prevista para durar até novembro. A terceira dose será da vacina da Pfizer ou da AstraZeneca, independentemente do imunizante aplicado nas duas primeiras etapas no mesmo esquema de reforço que será testado nos idosos de Paquetá ainda no fim deste mês , como o GLOBO revelou.

"Daremos preferência a instituições de longa permanência, onde os idosos estão mais expostos. Foram projetados dados sobre a eficiência da vacina e elas protegem, oferecem alto grau de proteção. Mas, para idosos, fica a recomendação para fazer uma dose de reforço, como outros países estão fazendo", disse o secretário. "A distribuição da terceira dose começa em setembro, mas ela deve ser feita de forma escalonada, conforme a chegada de vacinas, até novembro". 

Segundo Soranz, o comitê também sugeriu à prefeitura enviar um ofício ao Ministério da Saúde para que a pasta possa se planejar quanto à entrega das doses de reforço. A possibilidade de a prefeitura encomendar vacinas diretamente com os institutos produtores para garantir a execução da proposta não está descartada, mas antes a Secretaria municipal de Saúde vai conversar com o governo federal para saber se a medida será mesmo necessária.

A secretaria não especificou os detalhes desse escalonamento, mas adiantou que ela se baseia nos cronogramas de entregas de doses dos fabricantes ao Ministério da Saúde. A reunião desta segunda-feira contou com a presença do superintendente do ministério no Rio de Janeiro, Marcelo Lamberti, que, segundo Soranz, assentiu para a necessidade do novo reforço da vacina em idosos, conforme posicionamento já emitido pelo governo federal anteriormente.

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Compra de vacinas

A Prefeitura do Rio vai aguardar as próximas duas semanas para saber qual será o posicionamento do Ministério da Saúde em relação à entrega de novas doses para a capital fluminense. Nesse período termina o contrato de exclusividade entre o Instituto Butantan e o governo federal para as aquisições dos imunizantes da CoronaVac. A capital não descarta comprar o imunizante diretamente do instituto paulista caso o Ministério continue atrasando a entrega das doses. Soranz afirmou que a hipótese não está descartada.

"A Prefeitura do Rio sempre teve uma posição muito firme (de) que o Ministério da Saúde deve fortalecer o Programa Nacional de Imunização (PNI) e ele deve comprar e centralizar essas doses. Mas a nossa expectativa é que eles façam a compra e o aporte necessário para que os municípios não precisem negociar diretamente. Mas se eles não realizaram as comprar no momento oportuno, e a gente sentir qualquer tipo de dificuldade nesse processo, o município será obrigado a negociar diretamente (com os responsáveis pela CoronaVac). Nesse momento, o prefeito Eduardo Paes e toda nossa equipe recomenda que o ministério fortaleça o PNI e que eles façam a compra diretamente", destacou o médico, antes da reunião com o comitê, que segue:

"Essa é uma discussão para a próxima semana, e não há nada definido ainda. Mas nas próximas duas semanas teremos uma decisão do ministério e um posicionamento de como ficará essa compra". 

O município teve que alterar o calendário de vacinação mais uma vez. Nesta segunda-feira, são vacinados apenas adolescentes com deficiência, a partir de 12 anos, e repescagem de adultos. Antes, o cronograma previa o início do atendimento para os jovens em geral. No entanto, o número de doses recebido no último sábado não foi o suficiente para atender a esse grupo.

O município também tem discutido sobre a redução do intervalo para a segunda dose para quem for vacinado com a Pfizer. A SMS quer que o tempo entre as aplicações seja de oito semanas e não de 12 como é atualmente.

"(Para isso acontecer) Dependemos do quantitativo da dose do Ministério da Saúde. Estamos solicitando ao menos o percentual de vacina correspondente ao percentual da nossa população. E é muito importante para tomar qualquer decisão de encurtamento de segunda dose. Tem que ter vacina para isso. Inicialmente, a discussão é diminuir a aplicação da segunda dose da Pfizer de 12 semanas para oito semanas a partir de setembro. Se tiver aporte de doses, e se tiver a garantia do Ministério da Saúde, faremos isso". 

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