Prevalência do problema vascular entre mulheres brasileiras caiu na última década
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Prevalência do problema vascular entre mulheres brasileiras caiu na última década

Nos últimos dez anos, o combate à hipertensão obteve números de sucesso no Brasil. O país conseguiu reduzir razoavelmente a prevalência desse problema na década passada, após vê-lo se agravando nas duas anteriores. Essa melhora, porém, foi praticamente toda puxada pela saúde das mulheres. Entre os homens, a presença desse problema continuou entre as mesmas taxas.

No ranking de incidência do problema entre as mulheres para a população entre 30 e 79 anos, o Brasil desceu da posição 19 para 52, depois de ter uma redução pequena de 45% para 42%. Entre os homens, o número subiu de 47% a 48% (o Brasil desce da posição 27 para 24 no ranking, apenas porque outros países tiveram pioras mais acentuadas.

Esse foi o cenário delineado por um novo estudo do Imperial College de Londres, que a pedido da  OMS (Organização Mundial da Saúde) fez um novo mapeamento global da hipertensão, um dos principais fatores de risco para infartos e AVCs. A entidade publicou ontem uma nova série de diretrizes para monitoramento e tratamento do problema, junto do mapeamento global do problema.

O cenário mundial é preocupante porque o problema se agravou muito em países da África Subsaariana e da região do Pacífico. E apesar de avanços expressivos terem sido registrados em países de renda alta e média, o aumento da população global elevou muito o número absoluto de hipertensos no mundo. Hoje há 1,28 bilhão de pessoas hipertensas no mundo, das quais 700 milhões não estão sendo tratadas.

"Quase meio século depois de termos começado a tratar a hipertensão, que é fácil de diagnosticar e tratada com remédios de baixo custo, é um fracasso de saúde pública ver tantas pessoas com alta pressão no mundo ainda sem o tratamento necessário", afirmou ontem o sanitarista Majid Ezzati, professor do Imperial College e coordenador da pesquisa.

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Em muitos países existe um desequilíbrio entre a prevalência do problema entre os gêneros, com os homens em geral mais afetados que as mulheres. Não há muitos casos como o Brasil, porém, em que um dos gêneros obteve melhoras e outro não.

Segundo especialistas brasileiros da área, o Brasil e outros países da América Latina têm um traço cultural que atrapalha o monitoramento e o tratamento.

"O homem brasileiro não tem o costume de monitorar a saúde e só procura atendimento quando tem sintomas, mas, como a hipertensão é essencialmente uma doença não sintomática, o homem só busca apoio quando o problema já avançou muito", diz o médico Luiz Bortolotto, do Incor (Instituto do Coração), presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão. 

"A mulher cria um hábito, porque vai ao ginecologista a partir do momento que começa a menstruar, e esse monitoramento contribui para uma identificação mais precoce", comenta Bartolotto.

Segundo Roberto Dischinger Miranda, diretor para a área na Sociedade Brasileira de Cardiologia, o diagnóstico tardio faz com que o Brasil desperdice a sua capacidade de combater o problema, porque o SUS está bem equipado para oferecer o tratamento, e os medicamentos são acessíveis.

"O combate à hipertensão também é por medidas não farmacológicas que incluem controle do sal na alimentação, controle do peso, estilo de vida ativo, moderação no consumo de álcool e evitar o cigarro", afirma.

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