Ricardo Gurgel é o novo coordenador do PNI
Schirlene Reis/Ascom/ UFS
Ricardo Gurgel é o novo coordenador do PNI

O novo coordenador do Programa Nacional de Imunizações (PNI), o médico Ricardo Gurgel , é a favor da vacinação de adolescentes contra Covid-19. Segundo ele, a posição não é motivo de conflito com o Ministério da Saúde. O pediatra foi nomeado para a chefia do PNI nesta quarta-feira, após ser entrevistado pelo ministro Marcelo Queiroga.

Em relação à vacinação contra Covid-19, Gurgel explica que terá participação no tema, mas que a imunização relacionada à doença não está sob sua coordenação direta e sim sob chefia da Secretaria Extraordinária de enfrentamento à Covid-19.

O Ministério da Saúde chegou a suspender a recomendação de vacinação de adolescentes sem evidências sólidas, mas voltou atrás após pressão da área científica e de gestores estaduais e municipais. Questionado sobre seu posicionamento a respeito do tema controverso no governo, Gurgel afirmou que não há conflitos.

"Eu faço parte do depatarmento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria e nós soltamos uma nota recomendando a vacinação e isso já foi revertido. O ministério já recomenda que seja feito. Então, isso não é problema. Não tem nenhum conflito em relação a isso."

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O novo chefe do programa chega em Brasília na próxima segunda para assumir uma das funções mais estratégicas do Ministério da Saúde. Ele diz que sua principal missão será aumentar a cobertura vacinal de doenças como sarampo, coqueluxe, tétano e difiteria.

"Todo mundo sabe que as coberturas vacinais baixas não são adequadas. O ministro sabe disso. Por conta das baixas coberturas, começou a ter sarampo novamente (no Brasil), há dez anos que não tinha. Teve sarampo na Venezuela e veio tudo para cá, porque as pessoas não estavam protegidas. Teve sarampo na Europa e aí teve casos no Brasil. A cobertura vacinal precisa ser recomposta. Acho que essa é a minha principal missão no PNI", afirma Gurgel.

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Segundo dados de setembro, por exemplo, a cobertura com a tríplice viral, que previne contra sarampo, caxumba e rubéola, em 2020, chegava a apenas 77,09%. Para poliomelite, eram 75,95%. Patamar distante da meta de 95% de cobertura. De acordo com Gurgel, as coberturas já vinham baixando antes, mas com a pandemia houve um agravamento do quadro devido ao distancimento social, entre outros pontos.

"As coberturas vacinais quando ficam em níveis mais baixos permite que as doenças que estavam controladas reapareçam. Sarampo, coqueluxe, tétano, difiteria podem reaparecer com esse nível de cobertura que temos agora, porque tem muita gente que é suscetível a ter doença. A principal questão é voltar a ter coberturas próximas de 90% ou acima de 90% em algumas dessas doenças", afirma o médico.

Pediatra e especialista na área de imunização, Gurgel coordena um centro em Sergipe onde é feita a pesquisa para a vacina contra a Dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O médico afirma que tem boa relação com o instituto, que esteve no centro de embates com o governo federal. Atualmente, Gurgel também é professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Segundo ele, seu nome foi levado ao ministro pelo quadro técnico da pasta, que já conhecia seu trabalho com imunização.

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