Iniciativa tem como objetivo acompanhar a investigação de diagnósticos da doença notificados no país
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Iniciativa tem como objetivo acompanhar a investigação de diagnósticos da doença notificados no país

Diante do registro de novos casos suspeitos da  "hepatite misteriosa" no Brasil, o Ministério da Saúde instalou nesta sexta-feira uma Sala de Situação para monitorar casos notificados da doença, que afeta especialmente crianças. 

O objetivo da iniciativa é acompanhar a investigação de diagnósticos notificados no país e realizar o levantamento de evidências para identificar possíveis causas.

No último levantamento realizado pela Secretaria de Vigilância em Saúde do ministério, foram notificados 44 casos da doença no país. Desses, três foram descartados e os demais permanecem em monitoramento. 

A sala, que vai funcionar todos os dias da semana, conta com a participação de técnicos do Ministério, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), além de especialistas convidados.

De acordo com a pasta, os casos que estão sendo monitorados estão em nove estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Pernambuco, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo.

Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, além de monitoramento, a sala vai padronizar as informações e orientar os fluxos de notificação e investigação dos casos para todos as secretarias estaduais e municipais de Saúde, bem como para os Laboratórios Centrais e de Referência de Saúde Pública.

"O objetivo também é contribuir para o esforço internacional na busca de identificação do agente etiológico responsável pela ocorrência da hepatite aguda de causa ainda desconhecida", afirma a pasta.

No último dia 10 de maio, o Ministério da Saúde participou de reunião com grupo de especialista junto à Organização Mundial de Saúde (OMS) e com representantes de Reino Unido, Espanha, EUA, Canadá, França, Portugal, Colômbia e Argentina nas áreas técnicas de emergências em saúde pública, infectologia, pediatria e epidemiologia para discutir as evidências disponíveis até o momento.

A "hepatite misteriosa" é uma inflamação no fígado e os sintomas relacionados a ela são icterícia (coloração amarela da pele e dos olhos), diarreia, vômitos e dores abdominais. De acordo com as informações disponíveis, cerca de 10% dos casos apresentam necessidade de transplante de fígado.

A doença tem acometido menores de 16 anos ao redor do mundo e foi inicialmente identificada no Reino Unido, que em abril registrou a primeira morte. Desde então, a OMS já identificou mais de 300 casos em todo o mundo.

Como O GLOBO mostrou, o primeiro caso possível da doença no Brasil foi notificado em Niterói, em uma criança de três anos. Um dos pacientes brasileiros cujo caso está sob investigação teve de realizar um transplante de fígado.


Até o momento, no entanto, não se sabe o que origina a inflamação no fígado, uma vez que os vírus causadores das hepatites A, B, C, D ou E não foram encontrados nas amostras. A suspeita é que a doença seja originada por um adenovírus -- agente que provoca resfriados comuns.

A OMS descarta que a doença esteja relacionada à vacinação contra Covid-19. Segundo dados da organização, a maior parte das crianças acometidas tem menos de 5 anos e, portanto, não recebeu o imunizante. 

Uma das linhas de investigação entre especialistas é que a baixa exposição das crianças devido ao isolamento necessário na pandemia de Covid-19 pode ter fragilizado o sistema imunológico para outras doenças. Outra envolve uma síndrome pós-infecção pela Covid-19.

Entre as medidas para prevenir a doença, é recomendada a higiene das mãos, e etiqueta respiratória, como cobrir a boca e o nariz em caso de tosse ou espirro.

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