
O diagnóstico da esclerose múltipla tem se tornado mais preciso graças a avanços em biomarcadores e a mudanças recentes nas diretrizes médicas. A doença neurológica autoimune afeta principalmente jovens e adultos, com sintomas como alterações visuais, fadiga intensa, dormência e dificuldades de equilíbrio.
No Brasil, é estimado que cerca de 40 mil pessoas convivam com a condição, sendo mais comum entre pessoas de 20 a 50 anos e com maior incidência em mulheres.
Entre os principais desafios na identificação da doença, estão os sinais iniciais que costumam ser vagos e podem ser confundidos com outros problemas de saúde.
Segundo Elyara Soares, diretora científica da Binding Site e doutora em Imunologia pela Universidade de Michigan, isso faz com que muitos pacientes levem meses ou até anos para obter o diagnóstico correto.
“A esclerose múltipla pode evoluir silenciosamente no início, com lesões que nem sempre provocam sintomas imediatos. Por isso, identificar a doença precocemente faz toda a diferença para iniciar o tratamento e evitar danos neurológicos acumulativos”, afirma. Elyara Soares
O diagnóstico da doença é feito a partir da combinação de avaliação clínica, exames de imagem e análise do líquor, o fluido que circula no sistema nervoso central. Entre os testes laboratoriais mais utilizados está a identificação das bandas oligoclonais, que indicam atividade imunológica nessa região.
Elyara ressalta que, embora esse exame seja essencial para ajudar no diagnóstico, a interpretação em relação a ele pode variar. Isso acontece porque, em alguns casos, o resultado depende da comparação visual entre amostras de líquor e soro em exames específicos.
“O que nos deixa mais aliviados é que os avanços tecnológicos e a incorporação de novos biomarcadores vêm ajudando a reduzir essa variabilidade. Indicadores numéricos, por exemplo, permitem resultados mais padronizados e comparáveis entre exames e laboratórios”, explica a especialista. Elyara Soares
Na prática, os avanços podem agilizar a confirmação da doença e diminuir a necessidade de repetir exames, permitindo que o tratamento comece mais cedo.
Elyara Soares também destaca que a transição de análises visuais para dados mensuráveis tende a reduzir variações na interpretação e aumentar a segurança no diagnóstico.