Pesquisadores da Texas A&M University conseguiram restaurar funções de memória em camundongos idosos
por meio de um spray nasal
experimental, segundo estudo publicado no periódico
Journal of Extracellular Vesicles
, em fevereiro.
A pesquisa foi liderada por Ashok K. Shetty, do Instituto de Medicina Regenerativa da universidade, e investigou formas de reverter a chamada “neuroinflamação associada ao envelhecimento”, fator fortemente associado ao Alzheimer
e à piora cognitiva de idosos.
Nos testes, os pesquisadores aplicaram duas doses de um spray nasal em camundongos idosos. A substância continha “vesículas extracelulares”, derivadas de células-tronco neurais humanas, (estruturas microscópicas que transportam moléculas reguladoras conhecidas como microRNAs).
De acordo com os autores, o tratamento não somente reduziu a inflamação no cérebro dos animais, como também melhorou a função das mitocôndrias (responsáveis pela produção de energia nas células). A reação gerou ganhos significativos de memória nos bichos analisados.
Uma das vantagens do método desenvolvido na Universidade do Texas é que as partículas conseguem alcançar o cérebro sem necessidade de procedimentos invasivos , diretamente pela via nasal. Outras vantagens destacadas pelos achados do estudo foram:
- Direcionamento eficaz de células-alvo: as vesículas interagem de forma direta com as células necessárias e são ativamente incorporadas;
- Reversão do estado inflamatório: elas teriam induzido mudanças biológicas que cessaram a inflamação crônica do envelhecimento;
- Recuperação cognitiva e de memória: a ação protetora melhorou funções de reconhecimento e de memória associadas à velhice;
Testes comportamentais com os camundongos tratados indicaram que eles passaram a reconhecer melhor objetos e mudanças no ambiente, com um desempenho superior ao de animais não tratados.
Estudo ainda está em fase inicial
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que a abordagem ainda está em estágio inicial, em fase pré-clínica. Até o momento, não há testes em humanos, e serão necessários ensaios clínicos para avaliar segurança e eficácia da técnica.
Estas outras etapas do ensaio clínico visam examinar qual o momento ideal para iniciar um tratamento como este, quais seriam as dosagens seguras e se existem efeitos de longo prazo relacionados às vesículas (que poderiam ser negativos).
O estudo também apontou, ainda que pequena, alguma diferença entre fêmeas e machos, o que sugere necessidade de uma investigação maior. Ainda, testes em animais maiores, tentando se aproximar às dimensões de um corpo humano, devem ser feitos.
Ainda há um caminho longo para que a substância chegue a humanos, e os pesquisadores afirmaram no artigo que, apesar do resultado potencial para, no mínimo, atrasar o declínio cognitivo, mais pesquisas serão necessárias, inclusive sobre formas segura de produção em massa das vesículas.
“Faíscas de inflamação” explicam perda de memória
Segundo os pesquisadores, com o envelhecimento o cérebro passa a acumular pequenas “fagulhas” de inflamação, afetando áreas responsáveis pela memória e o aprendizado. Esse fenômeno é associado à piora cognitiva e a doenças degenerativas, como o Alzheimer.
A ideia da aplicação das vesículas derivadas de células-tronco é cessar esse “efeito dominó” de inflamação que é acentuado pela velhice. Ainda, mais do que atuar como um “freio”, esses componentes apresentaram a capacidade de promover reparação celular nos neurônios, segundo o estudo.
Doenças relacionadas ao envelhecimento do cérebro como demência são uma preocupação de nível global. A gente está mostrando que este envelhecimento pode ser revertido, para ajudar as pessoas a se manterem ‘afiadas’ mentalmente, engajadas socialmente e livres de pioras relacionadas ao envelhecimento mental. Dr. Ashok K. Shetty, professor universitário da Texas A&M University