Leito de UTI
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Leito de UTI

Seis estados brasileiros foram prejudicados pela pressão da pandemia no sistema de saúde, causando a morte de 4.132 pessoas antes mesmo de conseguirem chegar a um leito de terapia intensiva para o tratamento da Covid-19 . São eles: Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Maranhão. 

Os dados foram levantados pelo El País, que solicitou os números às secretarias estaduais da saúde das 27 unidades da federação. 

A pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2)  evidenciou a crise sanitária no Brasil e as dificuldades do Sistema Único de Saúde (SUS). A apuração procurou saber quantas solicitações por leitos de UTI tiveram que ser canceladas por morte do paciente enquanto aguardava liberação. A quantidade de cancelamentos reflete nos mais de 4 mil óbitos, mas não a situação do país.

Dos estados consultados, apenas seis comunicaram os dados solicitados . As informações incluem tanto os casos de desassistência por conta do colapso do sistema de saúde, quanto situações em que pacientes já chegaram tão graves que não houve tempo para colocá-los na terapia intensiva.

Nos primeiros meses da crise, diversos estados registraram hospitais superlotados e longas filas de espera por leito de UTI , nunca suficientes para atender a demanda - inesperada - proporcionada pela Covid-19. Seis meses depois do início da pandemia, o cenário é outro e as taxas de ocupação hospitalares estão caindo.

No Rio de Janeiro , os dados informados apontam que ao menos 2.340 pacientes infectados pelo novo coronavírus morreram antes de chegar a um leito de terapia intensiva. No caso carioca os óbitos foram a principal causa de cancelamento das solicitações, que também podem acontecer por alta hospitalar, melhora clínica, falta de condições de transporte, desistência, fora do perfil, dentre outros. Os números do Rio correspondem à quase metade dos 5.080 cancelamentos feitos nos últimos meses relacionados aos leitos de UTI.

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Entre junho e julho, a Bahia registrou 482 vítimas da Covid-19 que aguardavam transferência para UTIs. Em agosto, a Bahia se tornou o segundo Estado do país com mais infecções, em números absolutos, e a quantidade de mortes de pacientes que aguardavam um leito em uma unidade direcionada ao tratamento de infectados com o coronavírus subiu para 734.

No  Rio Grande do Norte , cerca de 14% de todas as mortes por coronavírus registradas no Estado são de pessoas que aguardavam por um leito de UTI, o número chega a 314. Ainda no Nordeste ―uma das regiões brasileiras mais impactadas pela pandemia e com sistemas de saúde mais frágeis― , o Maranhão  conta ao menos 97 pacientes com o novo coronavírus que faleceram antes de conseguir chegar à terapia intensiva.

Minas Gerais  começou a pandemia registrando poucos casos da doença, mas em maio, com o aumento dos testes, o número de infectados dobrou em um mês . O Estado informou que desde fevereiro foram criados 1.767 novos leitos de UTI no SUS de Minas, ainda assim 296 pacientes morreram antes de serem transferidos para um. Segundo o painel estadual, na última semana de agosto a taxa de ocupação dos leitos era de 65%. No  Espírito Santo , 351 pessoas que morreram antes de chegar a um leito de terapia intensiva.

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Leitos de UTI

Profissionais da saúde e pacientes relataram que, durante a crise, o cenário em hospitais era de insuficiência: faltavam leitos de UTI para tratamento da Covid-19 e equipamentos , como os ventiladores que davam suporte respiratório aos infectados pelo novo coronavírus.

Enquanto a  corrida pelas vacinas para Covid-19 continua e cientistas estudam medicamentos para tratamento da doença, as Unidades de Terapia Intensiva são as melhores opções para oferecer cuidados específicos aos pacientes com a enfermidade. Ainda que apresentem mais estrutura e recursos, o acesso a um leito de terapia intensiva não garante a sobrevivência do paciente em quadro grave de Covid-19 .

Mesmo regiões que já enfrentaram uma fase mais dura de contágio podem viver uma segunda onda de internações , alerta o Infogripe, grupo de pesquisa da Fiocruz que acompanha as internações por síndrome gripal no país, por isso é preciso manter as políticas de prevenção.

O Brasil atingiu nesta quarta-feira, 26, 3,7 milhões de casos confirmados de Covid-19 e 117.666 mortes pela doença .

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