Mortes
Sandro Pereira/Fotoarena/Agência O Globo
Brasil atinge a marca de 200 mil mortos pela Covid-19

Com 1.841 novas mortes notificadas apenas nas últimas 24 horas, um número recorde para o período, o Brasil atinge, nesta quinta-feira (7), a marca de 200 mil mortes causadas pela Covid-19 desde 12 de março, quando o primeiro óbito foi confirmado no país.

O número - que representa cerca de dois milhões de familiares, amigos e colegas que passam pelo doloroso processo de luto - pode ser ainda maior considerando a possibilidade de subnotificação . Ao mesmo tempo, índices de isolamento social mais baixo que o necessário apontam a continuidade de um cenário dramático nos próximos meses. 

Para o virologista Raphael Rangel, delegado do conselho de Biomedicina do Rio de Janeiro, a desobediência ao distanciamento social durante o fim do ano trará danos perceptíveis já nas próximas semanas.

“Por mais que nós já tenhamos falado sobre os riscos das aglomerações no Natal e Ano Novo, percebemos uma enorme quantidade de pessoas - especialmente jovens -  juntas, sem máscara e até em festas de rua durante esse período, o que causa um fenômeno que chamamos de ‘Covid delivery’, quando um jovem se infecta com o vírus e acaba levando essa infecção para dentro de casa, onde convive com pessoas mais velhas e consequentemente do grupo de risco ” , explica.

O aumento de casos, porém, não é exclusividade do mês de janeiro e já podia ser observado desde novembro de 2020, quando a curva epidemiológica apresentou alterações em diferentes estados, como São Paulo e Pernambuco. Em dezembro, a média de casos cresceu 34% no Brasil, índice que motivou um alerta divulgado pela Fiocruz, que pedia maiores restrições aos encontros e serviços não-essenciais. “Diante da piora dos indicadores de saúde revelada no documento, os autores sugerem a retomada do isolamento social onde for necessário”, diz. 

O cenário, explica Rangel, sugere a consolidação de uma segunda onda do vírus no país, que é o segundo mais atingido do mundo pela pandemia em número de óbitos. “A gente percebe que o número de pacientes internados apresentava um declínio e, desde outubro, houve uma mudança na curva epidemiológica. Isso caracteriza, sim, uma segunda onda e ela vem acompanhada de medidas de flexibilização que não deveriam ocorrer”, critica o virologista. “Muitos governos sobrepuseram uma fase à outra e isso se refletiu nos números hoje”, reforça. 

Em dezembro, alguns estados brasileiros endureceram as medidas de contenção da Covid-19, entre o quais  São Paulo - que determinou o retorno do estado à fase vermelha durante o período de festas de fim de ano - e Minas Gerais , cuja capital fechará os serviços não-essenciais a partir da segunda-feira (11). As ações, porém, seguem mais flexíveis que o cenário observado nos meses de março e abril, início do isolamento na maioria dos estados brasileiros. 

As projeções pessimistas, defende o profissional, poderão ser amenizadas caso uma campanha de vacinação eficaz ocorra em breve no Brasil. O sucesso da imunização, porém, não depende apenas da ciência: “nosso maior desafio hoje é conscientizar a população que a vacina, seja ela qual for aprovada, está vindo para salvar vidas", diz.

"Não importa uma vacina ter 80% de eficácia se apenas 10% da população quiser se vacinar. A vacinação é uma medida que a população precisa abraçar, já que sem isso não teremos uma imunidade coletiva. Só assim a gente vai conseguir vencer o coronavírus e deixar 2020 para trás”, finaliza o profissional de saúde. 


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