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Quem é fisicamente ativo teve risco 38% menor de desenvolver alta sensibilidade ao sal, diz pesquisa

Exercícios: ajudinha extra contra os efeitos do sal na hipertensão
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Exercícios: ajudinha extra contra os efeitos do sal na hipertensão
Um novo estudo mostra que atividades físicas podem diminuir o impacto negativo da alimentação rica em sódio sobre a pressão arterial.

Os pesquisadores constataram que quanto maior a quantidade de exercícios, menor o aumento de pressão arterial em resposta à alimentação rica em sódio.

“Quem realiza poucas atividades físicas terá um maior aumento de pressão arterial se a ingestão de sódio também for aumentada”, disse o Dr. Jiang He, chefe do departamento de epidemiologia da Escola de Saúde Pública e Medicina Tropical da Universidade Tulane, de Nova Orleans, e um dos autores do estudo.

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“Estou um pouco surpreso. Este é o primeiro estudo a analisar, especificamente, a associação entre atividade física, sensibilidade ao sal e pressão arterial. Mas, depois de analisá-lo, acredito que ele faz sentido, pois já é sabido que a atividade física reduz a pressão arterial”, disse ele.

A hipertensão é uma das principais causas do AVC . Devido à associação entre sal e hipertensão , a associação americana recomenda o consumo inferior a 1.500mg diários de sódio.

Para avaliar a possível associação entre exercícios físicos, sal e hipertensão, os pesquisadores se concentraram em aproximadamente 1.900 homens e mulheres (com idade média de 38 anos), moradores de áreas rurais do norte da China. Nenhum deles tomou medicamentos para pressão durante o estudo.

Durante uma semana, os participantes ingeriram 3.000 mg diários de sódio na alimentação. Em outra semana, eles seguiram uma dieta rica em sódio – 18.000mg diários. A pressão arterial foi aferida nove vezes por semana e os participantes responderam a questionários para avaliar os níveis de atividades físicas dos mesmos – categorizados de “muito ativos” a “bastante sedentários”.

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Quando a dieta com alto nível de sódio foi iniciada, aqueles que passaram por um aumento superior a 5% da pressão arterial sistólica (medida das contrações cardíacas representada pelo resultado mais alto nas aferições de pressão arterial) foram classificados como “altamente sensíveis ao sal”. O grupo mais fisicamente ativo apresentou risco 38% menor de desenvolver alta sensibilidade ao sal. Este grupo mostrou a menor propensão a apresentar um aumento superior a 5% da pressão arterial em resposta a uma dieta rica em sódio.

Comparado ao mais sedentário, o segundo grupo mais fisicamente ativo apresentou uma redução de 17% do risco de sensibilidade ao sal, enquanto que o segundo mais sedentário apresentou uma diminuição de 10% no risco. A equipe concluiu que as atividades físicas exercem um impacto significante, independente e progressivamente benéfico à saúde na relação sensibilidade ao sal e pressão arterial.

Os autores concordam que o estudo deve ser repetido. Além disso, especialistas ressaltam que pesquisas apresentadas em encontros médicos não passaram pelo mesmo tipo de avaliações rigorosas que antecedem a publicação das mesmas em periódicos médicos – o estudo foi apresentado durante o encontro da Associação Americana do Coração, em Atlanta (EUA), cujo tema foi nutrição, atividades físicas e doenças cardiovasculares.

Entretanto, “não existem razões para acreditar que estas descobertas não serão aplicadas à população americana. Os fatores de estresse relacionados à hipertensão são os mesmos para os chineses e para os americanos”, disse He.

“Por isso, a mensagem essencial do estudo é que, primeiramente, precisamos encorajar a população a diminuir a ingestão de sódio e aumentar as atividades físicas”, ele complementou. Aqueles que não podem aumentar a quantidade de exercícios físicos, talvez devido à idade, devem ser estimulados a seguir uma alimentação com baixo teor de sódio, “pois o sal tem um efeito acentuado sobre a pressão arterial”, ele complementou.

A nutricionista Lona Sandon, professora de nutrição clínica do Centro Médico da Universidade do Texas, disse que as descobertas destacam alguns dos benefícios já conhecidos dos exercícios regulares.
“Mesmo sem entender o mecanismo de funcionamento, sabemos bem que as pessoas que se exercitam regularmente têm vasos sanguíneos mais saudáveis. Os vasos são como os músculos. Se realizamos atividades cardiovasculares, eles se tornam mais flexíveis e respondem melhor às mudanças do volume e da pressão sanguínea”, ela explicou.

Sandon diz que as razões disso ainda devem ser exploradas. “Uma explicação pode ser que as pessoas mais ativas fisicamente eliminem maior quantidade de sal na transpiração. Ou talvez as atividades físicas enviem um tipo de mensagem fisiológica diferente ao corpo para excretar o sódio. Ou ainda, pode ser que os exercícios despertem um mecanismo que leva ao relaxamento das veias. Para compreender qual delas é a razão, serão necessários estudos complementares”, disse ela.

* Por Alan Mozes

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