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Patrick T. Fallon/Divulgação
Seringa escolhida pelo Ministério da Saúde possui 3 ml e “bico de rosca”

A campanha de vacinação contra o  novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil pode sofrer com a  falta de seringas e agulhas . “Vai acontecer de alguns estados terem seringa e outros não”, afirma Tomé da Silva, diretor-técnico da SR (Saldanha Rodrigues), em Manaus, uma das quatro fábricas que produzem esses insumos no país. As informações foram dadas pelo jornal Folha de S.Paulo .

O diretor-técnico explica que o problema está no fato do governo ter escolhido um único modelo de  seringa — que possui 3 ml e o chamado “bico de rosca” —, restringindo a produção nacional a 1,5 milhão por dia.

“Quando o Ministério escolhe apenas um modelo de seringa assim, em cima da hora, ele limita toda a capacidade de produção das empresas, porque as linhas de produção levam até um ano para serem adaptadas para um novo molde”, detalha Tomé.

Por causa do modelo único de seringa adotado pelo Ministério da Saúde , mesmo com a fábrica operando a plena carga, a produção pode não ser suficiente para garantir uma campanha de vacinação contínua no país.

Tomé da Silva defende que, se o governo autorizasse o uso dos quatro modelos de seringas utilizados nas campanhas de vacinação de anos anteriores, a produção do país poderia ser de 6 milhões por dia.

“Em questão de três meses resolveríamos a demanda do país todo. Isso vai acelerar o processo de vacinação e evitar que haja um desabastecimento nos estados”, disse. “Estávamos falando e o governo não estava ouvindo, a verdade é essa”, acrescentou Tomé.

A Abimo (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos), já vinha alertando, pelo menos desde agosto de 2020 , para a importância de um planejamento conjunto entre governos e fabricantes para evitar a escassez de insumos necessários à vacinação contra Covid-19 .

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