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Micose nos dedos pode ser sintoma de Covid-19

Há cerca de três meses, quando a Organização Mundial de Saúde declarou a pandemia de Covid-19 , os sintomas atribuídos à doença eram basicamente quatro: febre, tosse, cansaço e falta de ar. Com o aumento do número de infectados e pesquisas sobre o assunto, porém, novos sinais - relacionados ou não ao funcionamento dos pulmões - são encontrados a cada dia. 

No final do mês de abril, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças ( CDC , sigla em inglês) dos Estados Unidos  triplicou a lista de sintomas do país. Calafrios, tremedeiras repetidas com calafrios, dor muscular, dor de cabeça, dor de garganta e perda de olfato ou paladar foram incluídas entre os sinais de alerta para os profissionais de saúde. 

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Além disso, estudos em diferentes países apontam ocorrências que vão muito além dos nove sintomas que constam na lista norte-americana. Um artigo recentemente publicado Journal of the American Academy of Dermatology indicou a incidência de micoses na pele e  nos dedos como um possível sinal.

A pesquisa ainda menciona o fato de que o sintoma pode provocar uma confusão entre a nova doença e a dengue , que deixa manchas avermelhadas pelo corpo.

Já na universidade La Trobe, na Austrália, pesquisadores revisaram 14 artigos científicos divulgados desde o início da pandemia e concluíram a ocorrência de psicose - com alucinações e distúrbios psicológicos - entre alguns pacientes da Covid-19 que já apresentam histórico de sintomas psicóticos.

O estudo, porém, assume a possibilidade de que o estresse psicossocial causado pela pandemia possa contribuir para a manifestação. 

De acordo com o especialista em doenças infecciosas do centro hospitalar de Cambridge, Babak Javid, em entrevista à agência de notícias AFP, a justificativa para sintomas tão diversos pode estar na taxa de contágio da doença.

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"Em uma doença corrente, as complicações, mesmo que raras, também acontecem. Se uma pessoa em cada mil, ou inclusive uma a cada 10.000, desenvolve complicações, isto significa realmente milhares de pessoas", disse. 

No Brasil, o Ministério da Saúde incluiu, após o início da pandemia, dor de garganta, coriza e dificuldade para respirar entre os sintomas da doença, que agora são cinco. Além disso, médicos brasileiros já alertam para a grande ocorrência de sintomas oculares como conjuntivite em alguns casos da doença, considerando que as  mucosas dos olhos são uma das portas de entrada do vírus no corpo. 

A Organização Mundial de Saúde (OMS), porém, mantém a lista desde o início da pandemia, dividida entre sintomas leves e graves: febre, cansaço e tosse seca estão incluídos no primeiro grupo e pneumonia, enquanto febre alta e dificuldade de respirar integram a lista de sinais graves da doença. 

Vírus ataca quase todos os órgãos do corpo

A forma como os sintomas se manifestam, explica o pneumologista Isnard Maul, da Cia da Consulta, está relacionada às ligações do vírus no corpo humano.

“Acredita-se que o (novo) coronavírus ligue-se ao receptor da enzima conversora de angiotensina 2, que está presente em grande quantidade no trato respiratório e cardíaco, por isso predominam os sintomas respiratórios tais como dor de garganta, dispnéia, tosse, pneumonia. Outro órgão que pode ser acometido com frequência é o coração, sendo possível causador de miocardite e arritmias”, explica. 

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Apesar de existir um “trajeto” mais comum, o especialista explica que outros órgãos podem ser afetados, principalmente considerando a ação do vírus na c orrente sanguínea  do paciente, que por sua vez permite a condução para o resto do corpo.

“Outra forma de dano pela inflamação exagerada podem levar à coagulação intravascular disseminada e choque, que pode evoluir para disfunção de múltiplos órgãos em pacientes muito graves”, diz. Essa coagulação está relacionada a mais uma complicação que chama atenção nos pacientes de Covid-19: o Acidente Vascular Cerebral (AVC). 


Em São Paulo, falência nos rins em pacientes graves chama atenção 


Em São Paulo, profissionais de saúde alertaram para a gravidade e avanço da Covid-19 destacando as novas características e sequelas da doença são descobertas.

O coordenador do controle de doenças da secretaria estadual de saúde, Paulo Menezes, destacou que a infecção é "mais grave do que as pessoas estão imaginando" e possuir uma taxa de letalidade muito alta.

O diretor do Instituto Emílio Ribas, Luiz Carlos Pereira, também manifestou preocupação com o  avanço da doença e afirmou que “existem pacientes que estão evoluindo com insuficiência renal . De cada 10 pacientes, 4 evoluem para a necessidade diálise e ainda existem sequelas pulmonares”, reforçando o cuidado com sintomas e complicações que ainda são pouco conhecidos. 

Síndrome inflamatória em crianças 

Outra fonte de preocupação derivada da Covid-19 é uma síndrome inflamatória séria que afeta algumas crianças que contraíram a doença. Reportada pela primeira vez por médicos italianos, a doença também possui ocorrências  nos Estados Unidos, onde três jovens entre 7 e 18 anos morreram da síndrome em Nova York.

Um estudo publicado na revista científica The Lancet, analisou 30 casos registrados na província de Bergamo, uma das mais afetadas pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) na Itália.

A síndrome vem sendo reportada como uma inflamação em sistemas múltiplos, afetando órgãos vitais para a sobrevivência. Segundo os pesquisadores, a complicação normalmente afeta crianças de até cinco anos de idade.

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