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Na mesa de cirurgia, equipe médica percebeu que coração doado era muito pequeno para o paciente e decidiu manter o antigo e implantar o novo

Técnica utilizada para manter o coração do indiano e implantar o órgão doado é chamada de transplante heterotópico
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Técnica utilizada para manter o coração do indiano e implantar o órgão doado é chamada de transplante heterotópico

Um homem de 56 anos que sofria de insuficiência cardíaca e precisava de um transplante de coração acabou ficando não só com um órgão funcionando, mas dois batendo ao mesmo tempo em seu corpo.

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O caso aconteceu na Índia, e pegou tanto a equipe médica como o próprio paciente de surpresa. O homem, que é de Hyderabad, cidade localizada no estado de Telanganaque, estava na mesa de cirurgia, prestes a receber um coração novo quando os cirurgiões se deram conta de que o órgão que seria transplantado era muito pequeno para seu receptor.

A “descoberta” aconteceu minutos antes da operação que prometia salvar a vida do indiano. O coração era de um doador que teve morte cerebral, de apenas 17 anos.

Apesar de reconhecerem que não era possível usar o órgão doado , os médicos sabiam que o coração do indiano era insuficiente para mantê-lo vivo, e então, como precisavam decidir em poucos minutos o que fazer, já que o paciente corria risco de vida, os cirurgiões decidiram realizar um procedimento raro e ousado, conhecido como transplante de coração heterotópico.

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Transplante

A técnica consiste em inserir um coração de um doador e manter o original do paciente, deixando-o com os dois órgãos. A operação não é muito simples, pois consiste em sincronizar os batimentos cardíacos e, segundo o jornal britânico Daily Mail, foi feita apenas 150 vezes em todo o mundo.

O coração doado foi implantado entre o pulmão direito e o coração original durante uma cirurgia de sete horas.

O homem, que não teve seu nome revelado, está atualmente se recuperando, bem e pode levar uma vida normal.

No entanto, ele deverá ser acompanhado de perto. Os médicos admitem que há uma preocupação em relação aos problemas cardíacos que podem afetá-lo no futuro. A equipe acredita que pode ser difícil tratar qualquer defeito cardíaco por conta da dificuldade para identificar em qual órgão está o problema.

Os transplantes cardíacos são parcialmente necessários se doenças cardíacas, como a cardiomiopatia, resultarem em uma acumulação de pressão na artéria pulmonar - a artéria que leva sangue do coração para os pulmões.

O ideal é que o coração do doador seja compatível com o tamanho do que ele irá substituir, porque é preciso que ele seja capaz de lidar com a pressão acumulada sem vacilar.

No caso do indiano, o órgão novo era relativamente pequeno e não conseguiria realizar essa função, por isso, os médicos não tinham outra opção senão dar um segundo coração ao homem. Isso significa que o efeito da pressão foi dividido entre os dois corações: um pequeno e outro doente - mas funcionando.

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