Como o choque térmico faz mal à saúde

Mudança brusca de temperatura facilita infecções respiratórias e doenças cardíacas

Fernanda Aranda , iG São Paulo

Getty Images
Temperaturas baixas: frio prejudica as defesas do corpo e favorece problemas cardíacos

A mudança brusca de temperatura, uma das características do aquecimento global, preocupa especialistas da medicina por trazer uma série de complicações à saúde.

Segundo os médicos de diversas especialidades, as infecções respiratórias são facilitadas nessas condições e todo o sistema cardiovascular é comprometido, ampliando o risco de infartos e acidente vascular cerebral (AVC).

Entre hoje e amanhã (6 e 7), quem vive no sul do País estará exposto a todas estas consequências. Em São Paulo, a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de que a temperatura caia 10 graus. Até sexta-feira (8), é provável que os termômetros registrem outros 5 graus a menos, uma amplitude térmica de 15 graus acumulada em 48 horas.

No corpo

Quando os termômetros apresentam variação tão repentina na temperatura, uma das primeiras sequelas no organismo se dá no nariz, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Roberto Sturbulov.

“Os cílios nasais – pequenos fios responsáveis por fazer o filtro das substâncias tóxicas que entram nos corpo – ficam com dificuldade de movimentação”, explica o médico.

A imobilidade na parte corpórea que realiza a “faxina” de vírus e bactérias antes da passagem dos mesmos por garganta, faringe, laringe e pulmões, acarreta o acúmulo de germes nessas regiões, transformando-se em uma esponja de doenças respiratórias de todo tipo, como gripes, pneumonias, sinusites, asma e alergia.

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Em grupos da população mais vulneráveis a estas contaminações – idosos e crianças menores de 5 anos têm o sistema imunológico mais deficiente – esta maior probabilidade de adoecimento respiratório traz também mais problemas cardíacos.

Para tentar vencer a contaminação, o corpo reage produzindo substâncias de defesa, que são inflamatórias e prejudicam o movimento do coração. O resultado é uma chance maior de infarto, paradas cardíacas e AVC, principalmente para quem já convive com os conhecidos vilões da saúde: diabetes, hipertensão, obesidade e colesterol alto.

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Na ponta do lápis

Os técnicos do Laboratório de Poluição da Universidade de São Paulo (USP) estudaram os efeitos da amplitude térmica e constataram que ela é o gatilho para o registro de sete mortes a mais de idosos por dia.

Em análise feita no Sistema de Informação sobre a Mortalidade do município paulistano, os pesquisadores constataram que nos dias em que a temperatura cai bruscamente e fica abaixo dos 10 graus, 92 pessoas com mais de 65 anos morrem, sendo que a média geral é de 75 óbitos.

Uma das explicações dos autores do estudo, apresentado em 2009, na época da publicação, é que o corpo humano não está adaptado para a amplitude térmica, e funciona melhor em temperaturas que não fogem da zona de conforto (entre 21ºC e 25ºC).

Além disso, a ação das bactérias e vírus afeta toda a circulação sanguínea, deixando o sangue mais espesso o que acelera complicações cardiovasculares.

Também com fórmulas matemáticas, a meteorologista especializada em saúde pública, Micheline Coelho, encontrou outro impacto direto da virada do tempo: em dias em que a amplitude térmica é de 15 graus em 24 horas, as internações hospitalares por asma aumentam 95%. Leia mais informações.

Mais danos

Apesar de serem as áreas do corpo mais afetadas, o sistema respiratório e cardíaco não são os únicos comprometidos pelas mudanças na temperatura. As pesquisas já identificaram que o acúmulo de poluição – o principal responsável pelo aquecimento global – também acarreta mais apendicite, compromete a fertilidade e afeta o sistema psíquico, aumentando os casos de depressão.

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