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Novos experimentos apontaram que mesmo infectados, os órgãos não oferecem perigo se os pacientes forem tratados contra a hepatite C depois

Transplante de rim é o procedimento com maior fila de espera no Brasil, com mais de 20 mil pessoas aguardando o órgão
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Transplante de rim é o procedimento com maior fila de espera no Brasil, com mais de 20 mil pessoas aguardando o órgão

As filas de espera por um órgão não param de crescer. Ainda mais quando o que o paciente precisa é de um rim. No Brasil, em setembro do ano passado, mais de 26 mil pessoas aguardavam pelo órgão, conhecido como a principal peça do sistema excretor. Nos Estados Unidos, o número de pacientes esperando é ainda maior: 100 mil.

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Para conseguirem uma alternativa capaz de diminuir o tempo de espera por um rim , pesquisadores da Universidade de Johns Hopkins, nos Estados Unidos, trabalharam para realizar o transplante de 10 rins doentes. A ideia era implantar órgãos com hepatite C no receptor, e posteriormente tratá-lo.

Felizmente, todos os procedimentos foram bem-sucedidos. Quem recebeu o rim não desenvolveu a doença, porque foi tratado com medicamentos modernos e eficazes contra a condição.

A medida visa aproveitar órgãos que seriam descartados: só nos EUA, 500 rins com hepatite C são jogados fora anualmente. A doença atinge principalmente o fígado, mas o vírus também infecta outros órgãos, e o rim é um deles. Por isso, até o momento, pessoas com a condição não podiam ser doadoras.

Até então, a única maneira de transplantar um órgão com hepatite C era certificando-se de que o paciente que receberá a doação é positivo para o vírus da doença. Porém, com o surgimento de drogas potentes, o tratamento que antes era caro, difícil e demorado, agora é mais simples e tem chance de cura de 98% na maioria dos casos.

"Descobrir como usar esses rins é uma maneira de fazer mais transplantes e salvar mais vidas", diz Niraj Desai, professor de cirurgia da Universidade Johns Hopkins, em nota. A pesquisa foi publicada no Annals of Internal Medicine, nesta segunda-feira (5).

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Experimento

Os dez pacientes que estavam aguardando pelo órgão e que aceitaram participar dos testes eram negativos para HIV, hepatite B e hepatite C. A média de idade deles era de 71 anos. Todos estavam há quatro meses na fila de espera pelo rim.

Os órgãos foram doados por pessoas com hepatite C sem doença renal. Antes de receberem a doação, foi administrada em cada paciente uma dose de terapia anti-hepatite C e mais tarde, 12 semanas depois, eles continuaram com o tratamento. Depois de um ano de acompanhamento, nenhum dos receptores apresentaram vestígio da doença.

Com o resultado satisfatório, a partir de agora o estudo deverá ser replicado em mais pacientes e com novos pesquisadores envolvidos.

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