Alimentação

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Garfadas contra o câncer

Alimentação é aliada no tratamento e pode acelerar o processo de cura, além de minimizar os efeitos da quimioterapia

Lívia Machado, iG São Paulo | 02/03/2011 12:26

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Foto: Getty Images Ampliar

Vitaminas presentes em verduras e frutas podem oferecer proteção à saúde dos pacientes com câncer

Uma carne moída, bem temperadinha, é muito mais que proteína. Aconchega o estômago dos famintos, garante a mistura da refeição e pode aliviar o gosto metálico provocado pela quimioterapia nos pacientes em tratamento contra o câncer.

A dica faz parte da edição revisada do livro Comida que cuida, elaborado pela Sanofi-Aventis em parcerias com nutricionistas e oncologistas brasileiros, uma espécie de manual com receitas e guia de autoajuda alimentar, distribuido gratuitamente nos hospitais que tratam a doença, e disponível para download no site da farmacêutica.

O material reforça coro dos especialistas no tema. Os alimentos são protagonistas na recuperação do organismo debilidato pelos tratamentos agressivos do câncer. A comida, quando bem preparada, cuida e trabalha pela cura.

“A quimioterapia mata células doentes e saudáveis. As células boas, destruídas nesse processo, precisam ser refeitas. Os alimentos são matérias-primas para a recuperação do organismo. Sem uma dieta adequada, o paciente pode ter anemia, inflamação das mucosas, infecções”, explica Ricardo Caponero, oncologista clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e consultor geral da segunda edição do livro.

Mulheres e crianças no foco

Na cartilha, os médicos defendem a importância das refeições durante o tratamento, com um recorte especial para as mulheres vítimas do câncer de mama e para o câncer infantil. As inúmeras receitas e dicas do livro foram testadas e aprovadas por pacientes em tratamento no Hospital A.C Carmargo, em São Paulo.

O livro de receita promete sabor com simplicidade. A ideia foi sugerir combinações de alimentos ricos e nutritivos, além de baratos e fáceis de serem executados, pontua Tatiana Oliveira, nutricionista da NutriOnco, envolvida no projeto.

Mais difícil do que preparar um cardápio suculento e nutritivo para as crianças, é despertar nelas o apetite ou a vontade de comer, revela Ilana Elman, nutricionista e também consultora do guia.

“Os efeitos colaterais abalam o paladar, provocam um gosto metálico na boca, a perda do olfato ou dor ao mastigar. É preciso renovar as receitas, incorporar ingredientes para motivar esses pacientes e promover uma educação alimentar de qualidade.”

Nas crianças, além de dificultar o processo de cura, a dieta deficiente compromete o crescimento. A comida, nesses casos, nunca deve ser usada como poder de barganha.

“É preciso que os pais trabalhem a aceitação dos alimentos de forma natural e criativa, e pouco permissiva. O paciente não pode comer apenas o que ele quer”, diz a nutricionista.

A dica é agregar valores nutricionais aos alimentos mais queridos desse público. Adicionar uma carne picadinha, temperada com alecrim, coentro e legumes cozidos ao macarrão instantâneo - prato preferido das crianças - é uma saída eficaz para aguçar o paladar infantil, exemplifica a especialista.

Para os pequenos que não gostam de cenoura, oferecer o legume com outra textura costuma funcionar. “Um purê de cenoura desenhando no prato, compondo com outros alimentos um rosto feliz, é motivador e ajuda a aguçar o paladar, educar.”

Obesidade após o câncer

O processo de cura do câncer de mama, ao bloquear a produção de hormônios femininos – diretamente ligados ao desenvolvimento dos tumores – e amputar a mama doente, além de violentar a identidade feminina, pode resultar em ganho de peso para muitas mulheres.

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“Muitas pacientes compensam o abalo emocional e físico da doença na comida. Com a perda da autoestima, o controle da dieta fica à margem do tratamento. A obesidade durante esse processo reduz a expectativa de vida dessas mulheres”, alerta Caponero.

A alimentação adequada, nesses casos, além de dar ferramentas para o organismo se defender e não permitir a entrada de outras doenças, ajuda a resgatar a vaidade e diminui as chances de reaparecimento do tumor.

"É muito dolorido quando uma mulher supera um câncer de mama, passa por todo o processo de dor, aceitação e, por conta do descuido e do ganho de peso, em um futuro não tem distante, se depara novamente com outro tumor na mama", explica Maíra Callef, coordenadora do Núcleo Mama do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

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