Fones de ouvido podem causar surdez; veja outros sons prejudiciais

Por Elioenai Paes - iG São Paulo |

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Imprudência e negligência com sons altos são as maiores inimigas da saúde auditiva; cuidado deve começar cedo

Thinkstock/Getty Images
Fones de ouvido só podem ser usados com segurança por menos de uma hora e abaixo de 85 decibéis. Crianças deveriam evitar, explicam especialistas

No dia nacional de prevenção e combate à surdez, celebrado nesta segunda-feira (10), os especialistas alertam: é preciso cuidar da saúde auditiva para chegar à terceira idade ouvindo bem. O que não parece fácil para a geração que parece ter o fone de ouvido como "acessório de fábrica"

Cada dia mais popular entre crianças e adolescentes, o uso indiscriminado de fones de ouvido, por longos períodos e em volume acima do normal, causa perda de audição. E o pior é que a pessoa nem percebe o processo, já que a perda  da audição é gradual.

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“Essa população de usuários vai ter queixa anterior ao tempo que deveria ocorrer, que é por volta dos 75 anos de idade, por causa do envelhecimento”, alerta Castilho. “A morte das células auditivas pelo envelhecimento é um processo programado geneticamente, e vai acontecer com todo mundo, mas deveria ser apenas no tempo certo.”

A perda anterior pode acontecer porque o som alto “acorda” alguns genes que deveriam se manifestar só na terceira idade. “Acordar o gene mais cedo é uma sobreposição de problemas”, afirma o médico.

Mas o que faz uma pessoa ficar surda? O otorrinolaringologista Arthur Castilho explica que alguns já nascem sem ouvir – por razões genéticas ou por infecções durante a gestação. A maioria dos casos, no entanto, acontece por traumas acústicos, infecções durante a vida e por abuso da audição com sons altíssimos, como os dos fones de ouvido.

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Fogos de artifício, máquinas em indústrias, britadeiras, conversas excessivas e ruídos altos também machucam o ouvido. Quem tem ouvido sensível, sente um desconforto já no final do dia: há uma perda de audição significativa, que pode ser acompanhada por um zumbido ou chiado. No dia seguinte, no entanto, tudo parece estar melhor.

Se a exposição ao ruído, som ou barulho alto foi temporária, o ouvido trabalha arduamente para se recuperar e costuma conseguir. Mas, se a agressão à audição for frequente, o ouvido entrega os pontos e os nervos vão sendo lesados.

O ouvido passa a sofrer quando os sons são acima de 85 decibéis. Veja os decibéis de algumas atividades, segundo a Proteste e Sociedade Brasileira de Otologia:

Conversação há um metro de distância: 60 decibéis. Foto: Thinkstock/Getty ImagesCortador de grama: 107 decibéis. Foto: Thinkstock/Getty ImagesPicos de som registrados no levantamento dos fones de ouvido: 109 decibéis. Foto: Thinkstock/Getty ImagesSala silenciosa: 50 decibéis. Foto: Thinkstock/Getty ImagesArma de fogo: 130 a 140 decibéis. Foto: BBCTurbina de avião a jato: 140 decibéis. Foto: Internet ReproduçãoSerra elétrica: 110 decibéis. Foto: Thinkstock/Getty ImagesPiano tocando forte: 92 a 95 decibéis. Foto: Thinkstock PhotosÁrea residencial à noite: 40 decibéis. Foto: Thinkstock/Getty ImagesSussurro: 20 decibéis. Foto: Getty Images

Quando há uma perda grande, é preciso usar aparelhos auditivos. E aí está outro problema: há um preconceito grande com pessoas que usam prótese auditiva. “Não entendo como os óculos são bem aceitos e a prótese auditiva não”, compara Cícero Matsuyama, otorrinolaringologista do Hospital Cema.

De fato, assim como os óculos são imprescindíveis para quem tem alterações visuais, a recusa em usar prótese auditiva pode causar até – pasme! – Alzheimer. “Idosos que não usam aparelho e convivem com a perda, têm uma chance maior de ter Alzheimer. A perda de estimulação deve disparar algum gatilho que não sabemos qual, mas que gera demência, por afetar uma outra área do cérebro que não tem nada a ver com a audição”, detalha Castilho.

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