Câncer de mama deixa mulher vulnerável a infecções mesmo depois do tratamento

Por iG São Paulo |

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Estudo mostra que a quimioterapia destrói células de defesa de mulher que tenha sido vacinada contra tétano e pneumonia, por exemplo

Uma pesquisa publicada nesta terça-feira (26) no periódico Breast Cancer Research mostra que mulheres que tiveram câncer de mama no passado podem não recuperar completamente o sistema de defesa do corpo, se tornando alvo mais fácil de infecções comuns e que já haviam sido tratadas com vacinações. O estudo analisou o sistema imune de 88 mulheres que tinham tido câncer de mama e já estavam curadas. 

Mesmo depois da quimioterapia, sistema de defesa do corpo continua defasado e deixa mulheres suscetíveis a infecções virais e bacterianas, dentre elas o tétano e pneumonia
Thinkstock/Getty Images
Mesmo depois da quimioterapia, sistema de defesa do corpo continua defasado e deixa mulheres suscetíveis a infecções virais e bacterianas, dentre elas o tétano e pneumonia

A pesquisa levanta a possibilidade que essas mulheres que superaram o câncer devam continuar sendo monitoradas e devam passar por algum tipo de tratamento. Mais estudos, no entanto, serão necessários para ver se a re-vacinação é um dos tratamentos eficazes para o problema. 

Cerca de 30% das mulheres com câncer de mama precisam passar por sessões de quimioterapia. Embora o tratamento tenha altas taxas de efetividade permitindo a sobrevida delas, uma atenção extra depois do término da quimioterapia pode ser necessária. Estudos anteriores já haviam mostrado que os remédios anti-câncer destroem a imunidade da pessoa, mas não haviam monitorado isso a longo prazo. 

Medindo os níveis dos anticorpos e linfócitos (grupo de células brancas do sangue que está envolvida na resposta imune), os cientistas da Universidade de Leeds e do NHS da Inglaterra descobriram que a quimioterapia reduzia os níveis de alguns dos componentes do sistema imune das sobreviventes do câncer. Essa redução permanecia por, no mínimo, nove meses depois do tratamento.

Essas mudanças na defesa do corpo podem deixar as pacientes mais vulneráveis a algumas infecções, apesar de terem sido vacinadas contra esses males muitos anos antes. 

Níveis de linfócitos foram medidos antes da quimioterapia e entre dois e nove meses depois do tratamento.

Os níveis de todos os tipos mais importantes de linfócitos caíram significativamente depois da quimioterapia. Isso incluiu as células B e T além das células exterminadoras naturais, que, juntas, defendem o corpo contra infecções virais e bacterianas. 

Descobriu-se que o impacto da quimioterapia em muitos linfócitos era curto, com uma recuperação completa entre nove meses do término da quimioterapia. No entanto, as drogas anti-câncer tiveram um efeito mais longo nas células B (que produzem anticorpos) e nas células T (que são responsáveis para ajudar na produção de anticorpos), e elas só se recuperaram parcialmente, em cerca de 65% dos níveis iniciais nos seis primeiros meses e não continuaram com a recuperação além dos três meses seguintes.

Os níveis de anticorpos contra o tétano e pneumococcus (a bactéria que pode causar pneumonia) estavam reduzidos e permaneceram baixos mesmo depois de nove meses. Logo, mesmo que a mulher tenha sido vacinada no passado, ela estaria suscetível a essas infecções.

Tipo de quimioterapia muda o dano ao sistema de defesa do corpo

Os pesquisadores testaram diferentes agentes quimioterápicos. Comparando a administração só de antraciclinas com o regime em conjunto de antraciclinas com taxanos, observou-se que a antaciclina sozinha era mais danosa às células B e T inicialmente, mas uma recuperação completa aconteceu depois do tratamento.

Por outro lado, as antraciclinas junto com taxanos tanto reduziu a defesa corpórea e também estava associado a uma recuperação pior. 

Os pesquisadores também descobriram que o cigarro atrapalha a recuperação das células de defesa. No estudo, as fumantes tiveram apenas 50% de recuperação, contra 80% das não-fumantes.

O pesquisador líder do estudo que aconteceu na Escola de Medicina da Universidade de Leeds, Thomas Hughes, diz que ele e sua equipe ficaram surpresos em saber que o impacto da quimioterapia vai muito além do período de tratamento. 

Além disso, ele disse que não se esperava que o cigarro poderia influenciar tão fortemente a dinâmica da recuperação do sistema imune. Segundo o especialista, é preciso considerar o que acontece com o sistema imune depois do tratamento contra o câncer para poder planejar a quimioterapia. 

Esse foi um estudo observacional, portanto ainda não foi possível definir a causa e efeito do desequilíbrio no sistema imune, embora foi estabelecido que a quimioterapia e o cigarro tenham efeitos sérios sobre a defesa do organismo.

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