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Alcoolismo e abuso de álcool

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Conteúdo exclusivo para o iG no Brasil e usado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos

Definição

O alcoolismo (dependência de álcool) e o abuso de álcool são duas formas diferentes de problemas com bebida alcoólica.

O alcoolismo ocorre quando a pessoa mostra sinais de dependência física do álcool (tolerância e abstinência, por exemplo) e continua a beber, mesmo com problemas relacionados à saúde física, mental e responsabilidades sociais, familiares ou profissionais. O álcool pode passar a dominar a vida e os relacionamentos da pessoa.

No caso de abuso do álcool, o hábito de beber causa problemas, mas não dependência física.

Nomes alternativos

Dependência de álcool; abuso de álcool; problemas com bebida alcoólica.

Causas, incidência e fatores de risco

Não há uma causa conhecida para o alcoolismo ou o abuso de álcool. O motivo de algumas pessoas beberem de maneira responsável e nunca perderem o controle de suas vidas enquanto outras são incapazes de controlar o hábito de beber ainda não foi determinado.

Algumas pessoas conseguem controlar o abuso de álcool antes que ele se transforme em dependência, enquanto outras não conseguem.

Ninguém sabe quais daqueles que abusam do álcool conseguirão ou não recuperar o controle, mas a quantidade de álcool que uma pessoa ingere pode influenciar na probabilidade de se tornar dependente.

Foto: ADAM

Alcoolismo

Pessoas com risco de desenvolver o alcoolismo:

  • Homens que tomam 15 ou mais doses de bebida alcoólica por semana
  • Mulheres que tomam 12 ou mais doses de bebida alcoólica por semana
  • Qualquer pessoa que tome mais de cinco doses de bebida alcoólica por vez pelo menos uma vez por semana

Uma dose de bebida alcoólica equivale a uma garrafa de cerveja de 350 ml, uma taça de vinho de 150 ml ou uma dose de 45 ml de bebida destilada.

Já foram identificados diversos outros fatores de risco relacionados ao abuso e à dependência de álcool. Uma pessoa que tenha pai ou mãe alcoólatra, por exemplo, tem mais chances de se tornar alcoólatra que uma pessoa sem casos de alcoolismo em familiares de primeiro grau.

Outras pessoas que podem ter mais chances de abusar do álcool ou de se tornarem dependentes:

  • Pessoas que sofrem pressão de colegas, principalmente adolescentes e universitários
  • Pessoas com depressão, transtorno bipolar, transtornos de ansiedade ou esquizofrenia
  • Pessoas com fácil acesso ao álcool
  • Pessoas com baixa autoestima ou problemas de relacionamentos
  • Pessoas que têm um estilo de vida estressante
  • Pessoas que vivem em uma cultura em que há grande aceitação social do uso de álcool

As pesquisas sugerem que determinados genes podem aumentar o risco de alcoolismo, mas quais são esses genes e como eles funcionam ainda não se sabe. A prevalência do consumo de álcool e os problemas relacionados estão crescendo.

Sintomas

Sinais de depedência física:

  • Doenças relacionadas ao álcool
  • Necessidade de quantidades cada vez maiores de álcool para ficar embriagado ou atingir o efeito desejado (tolerância)
  • Lapsos de memória (amnésia) depois de beber em excesso
  • Sintomas de abstinência quando o uso de álcool é interrompido

Possíveis sintomas e comportamentos do alcoolismo:

  • Continuar a beber, mesmo quando a saúde, a família ou o trabalho estão sendo prejudicados
  • Beber sozinho
  • Episódios de violência depois de beber
  • Hostilidade quando confrontado sobre seu hábito de beber
  • Falta de controle sobre o hábito de beber - a pessoa é incapaz de parar ou reduzir o consumo de álcool
  • Criar justificativas para beber
  • Faltar no trabalho ou na escola ou apresentar queda de desempenho
  • Não participar mais de atividades por causa do álcool
  • Necessidade de consumo diário ou regular de álcool para ser capaz de realizar funções básicas
  • Esquecer de comer
  • Não se importar com a aparência física
  • Comportamento dissimulado para esconder o uso de álcool
  • Tremedeiras durante a manhã

Para saber mais sobre os sintomas físicos do abuso de álcool, consulte também:

A abstinência de álcool ocorre porque o cérebro se adapta ao álcool e não consegue funcionar sem a droga.

Exames e testes

Todos os médicos devem perguntar a seus pacientes sobre o hábito de beber. O médico pode conseguir um histórico com a família se a pessoa afetada se recusar ou for incapaz de responder às perguntas. Um exame físico é feito para identificar problemas físicos relacionados ao uso de álcool.

Foto: ADAM

Uma tomografia computadorizada do abdome superior mostrando cirrose do fígado

Perguntas usadas pelo Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo dos Estados Unidos para determinar o abuso ou dependência de álcool:

  • Você dirige depois de beber?
  • Você tem que beber mais agora que no passado para ficar embriagado ou atingir o efeito desejado?
  • Você já achou em algum momento que deveria diminuir seu consumo de álcool?
  • Você já teve episódios de amnésia depois de beber?
  • Você já faltou ao trabalho ou perdeu um emprego por causa do hábito de beber?
  • Alguém da sua família está preocupado com seu hábito de beber?

Testes para o abuso de álcool:

Tratamento

A abstinência é definida como a privação completa do uso de álcool. A abstinência total e evitar as situações de alto risco em que o álcool está presente são os objetivos ideais para as pessoas com alcoolismo. Um círculo social forte e o apoio da família são muito importantes para chegar a esse ponto.

Algumas pessoas com problemas de abuso de álcool podem conseguir isso apenas reduzindo a quantidade de álcool ingerido (moderação). Se a moderação der resultado, o problema estará resolvido. Caso contrário, a pessoa deve tentar a abstinência.

Interromper completamente o consumo de álcool e depois permanecer abstinente é difícil para muitos alcoólatras. Alguns profissionais, mas não todos, optam por tratar o alcoolismo como uma doença crônica. Isso significa que os pacientes devem esperar que ocorra recaídas e aceitá-las, mas devem tentar permanecer o maior período possível sem beber.

INTERVENÇÃO

Muitas pessoas com problemas relacionados ao álcool não conseguem perceber quando o hábito de beber ficou fora de controle. Antigamente, os profissionais responsáveis pelo tratamento acreditavam que os alcoólatras deveriam ser confrontados sobre o seu problema com bebidas alcoólicas. Hoje as pesquisas mostram que a compaixão e a empatia são mais eficazes.

A abordagem ideal é ajudar o alcoólatra a perceber o quanto o abuso de álcool está prejudicando sua vida e a das pessoas a seu redor. O foco deve ser a meta pessoal de levar uma vida sóbria e mais gratificante.

Estudos concluíram que uma quantidade maior de pessoas aceita fazer tratamento se seus familiares ou funcionários são sinceros sobre as preocupações e tentam ajudar os alcoólatras a enxergar que a bebida está impedindo que eles atinjam seus objetivos.

ABSTINÊNCIA

A melhor maneira de conseguir a abstinência do álcool é estar em um ambiente controlado e supervisionado em que alguns medicamentos aliviam os sintomas. Essa abstinência supervisionada, também chamada de desintoxicação, geralmente leva de quatro a sete dias.

Também devem ser feitos exames para detectar outros problemas médicos. Problemas no fígado e de coagulação do sangue, por exemplo, são comuns em pessoas com alcoolismo.

Podem ocorrer complicações na abstinência não supervisionada, como o Delirium Tremens (DT) que pode ser fatal.

Depressão ou outros transtornos de ansiedade ou de humor podem se manifestar depois que a pessoa não está mais sob efeito de álcool, devendo ser tratados imediatamente.

Consulte Abstinência de álcool para obter mais informações.

RECUPERAÇÃO A LONGO PRAZO

Após a desintoxicação, programas de reabilitação ou recuperação do álcool podem ajudar as pessoas a permanecerem longe do álcool. Esses programas geralmente oferecem aconselhamento, orientação psicológica, enfermeiros e assistência médica. A terapia envolve educação sobre o alcoolismo e seus efeitos.

Muitos dos membros da equipe dos centros de reabilitação são alcoólatras em recuperação que servem de exemplo a ser seguido. Os programas podem ser hospitalares, em que os pacientes moram na local durante o tratamento, ou podem ser ambulatoriais, em que os pacientes participam do programa, mas moram em suas casas.

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) utiliza uma abordagem de aprendizado estruturada e pode ajudar as pessoas com alcoolismo. Os pacientes recebem instruções e tarefas para fazer em casa a fim de melhorar a habilidade de lidar com as situações básicas da vida, controlar seu comportamento e mudar a forma como eles enxergam o álcool.

Para evitar recaídas, às vezes são receitados medicamentos. Eles geralmente são usados junto com a terapia cognitivo-comportamental ou um programa de recuperação contínuo.

  • O acamprosato é um medicamento que já demonstrou diminuir a taxa de recaída nas pessoas dependentes de álcool
  • O dissulfiram provoca efeitos colaterais muito desagradáveis se você beber, mesmo que seja uma pequena quantidade de álcool em até duas semanas após tomar o medicamento
  • A naltrexona diminui a ânsia por álcool. Ela está disponível em forma injetável

Não é possível tomar estes medicamentos em caso de gravidez ou determinados problemas médicos. O tratamento a longo prazo com orientação psicológica e grupos de apoio geralmente é necessário. A eficácia dos medicamentos e da orientação psicológica varia.

É importante que o paciente possua uma situação de moradia que o ajude a se manter sóbrio. Algumas áreas possuem residências que propiciam um ambiente de apoio para as pessoas que estão tentando permanecer sóbrias.

Grupos de apoio

Os grupos de apoio existem para ajudar as pessoas a lidar com o alcoolismo. O Alcoólicos Anônimos é um grupo de autoajuda para alcoólatras em recuperação que oferece apoio emocional e um modelo de abstinência para as pessoas que estão se recuperando da dependência de álcool. Existem unidades locais do grupo em todo o Brasil em diversos países.

Foto: ADAM

Alcoolismo

Os membros do AA:

  • Recebem um modelo de recuperação testemunhando as conquistas dos membros sóbrios do grupo
  • Possuem ajuda disponível 24 horas por dia
  • Aprendem que é possível participar de eventos sociais sem beber

Como o alcoolismo pode afetar também as pessoas próximas ao alcoólatra, os familiares geralmente precisam de orientação psicológica. O Al-Anon é um grupo de apoio para cônjuges e outras pessoas afetadas pelo alcoolismo de alguém próximo. O Alateen fornece apoio a adolescentes filhos de alcoólatras. Se você não gostar do programa de 12 passos, existem diversos outros grupos de apoio.

Evolução (prognóstico)

Somente 15% das pessoas com dependência de álcool buscam tratamento para a doença. Beber novamente após o tratamento é muito comum, por isso é importante ter sistemas de apoio para conseguir lidar com os lapsos e garantir que eles não se transformem em uma recaída total.

Os programas de tratamento apresentam taxas de sucesso variáveis, mas muitas pessoas com dependência de álcool conseguem manter a abstinência.

Os pacientes que alcançam a abstinência total possuem uma taxa maior de sobrevivência, boa saúde mental e melhoram seu casamento. Eles também se tornam pais e funcionários mais responsáveis que as pessoas que continuam a beber ou têm recaída.

O alcoolismo é um grande problema social, econômico e de saúde pública. O álcool é um fator presente em mais da metade de todas as mortes acidentais e em quase metade de todas as mortes por acidentes de trânsito. Uma grande porcentagem de suicídios envolve o uso de álcool junto com outras substâncias.

As pessoas que abusam ou são dependentes do álcool têm mais chances de ficar desempregadas, se envolver em casos de violência doméstica e ter problemas com a lei (como dirigir embriagado).

Complicações

  • Complicações para o cérebro e o sistema nervoso:
    • Degeneração do cérebro e demência
    • Depressão e suicídio
    • Danos aos nervos
    • Grande perda de memória
    • Síndrome de Wernicke-Korsakoff
  • Câncer de laringe, esôfago, fígado ou cólon
  • Delirium Tremens (DT)
  • Distúrbios do trato digestivo:
  • Outras complicações:
    • Dano ao músculo do coração
    • Hipertensão
    • Insônia
    • Dificuldade de obter ereção (nos homens)
    • Suspensão da menstruação nas mulheres
  • Doenças sexualmente transmissíveis
  • Violência

O consumo de álcool durante a gravidez pode causar graves defeitos de nascença. O mais sério deles é a síndrome alcoólica fetal que pode provocar retardo mental e problemas de comportamento.

Uma forma mais leve da doença que ainda pode causar problemas para toda a vida é chamada de efeitos do álcool sobre o feto.

Ligando para o médico

Se você ou alguém que você conhece tiver dependência de álcool e apresentar confusão intensa, convulsões, sangramentos ou outros problemas de saúde, dirija-se a um pronto-socorro ou ligue para um número de emergência local como o 192.

Consulte o Guia de Primeiros Socorros do iG Saúde e saiba com agir em caso de emergência

Prevenção

Programas educacionais e aconselhamento médico sobre o abuso de álcool podem ajudar a diminuir o abuso e os problemas relacionados. A dependência do álcool precisa de um gerenciamento mais intensivo.

O Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo dos Estados Unidos recomenda que as mulheres não tomem mais que uma dose de bebida alcoólica por dia e os homens não tomem mais que duas por dia. Uma dose de bebida alcoólica equivale a uma garrafa de cerveja de 350 ml, uma taça de vinho de 150 ml ou uma dose de 45 ml de bebida destilada.

Referências

Kleber HD, Weiss RD, Anton RF Jr., George TP, Greenfield SF, Kosten TR, et al. Work Group on Substance Use Disorders; American Psychiatric Association; Steering Committee on Practice Guidelines. Treatment of patients with substance use disorders, second edition. Am J Psychiatry. 2007;164:5-123.

[No authors listed] In the clinic. Alcohol use. Ann Intern Med. 2009;150:ITC3-1-ITC3-15.

O'Connor PG. Alcohol abuse and dependence. In: Goldman L, Ausiello D, eds. Cecil Medicine. 23rd ed. Philadelphia, Pa: Saunders Elsevier; 2007:chap 31.

Schuckit MA. Alcohol-use disorders. Lancet. 2009;373:492-501.

Atualizado em 20/3/2011, por: David Zieve, MD, MHA, Medical Director, A.D.A.M., Inc.; David C. Dugdale, III, MD, Professor of Medicine, Division of General Medicine, Department of Medicine, University of Washington School of Medicine.

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