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Os benefícios da circuncisão

Procedimento reduz o risco de contrair HIV e HPV, além de facilitar a limpeza do pênis e evitar inflamações

Bruno Folli, iG São Paulo | 13/02/2011 08:54

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Para os judeus, a circuncisão é um ato religioso que representa a aliança com Deus. Para os médicos, é um procedimento cirúrgico e se chama postectomia.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a operação pode se tornar um recurso valioso contra o HIV, vírus causador da aids, em países com alta incidência da doença. A entidade até promoveu a cirurgia em algumas nações africanas, apesar de não haver total garantia contra infecções. Afinal, um homem adulto deve se submeter ao método para evitar doenças?

A resposta ainda não é unanimidade entre os médicos, embora muitos benefícios tenham sido comprovados por pesquisas internacionais.

“O problema é que o pós-operatório é dolorido. O sujeito vai xingar toda vez que tiver uma ereção”, brinca o urologista João Hipólito Pous, secretário-geral da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Foto: Thinkstock Photos

Operação contra doenças sexuais não dá total segurança

O melhor é fazer a circuncisão (ou postectomia) quando criança. “O ideal é a partir dos dois anos porque antes há mais risco de complicações”, alerta Marco Antonio Arap, urologista do Hospital Sírio-Libanês. Uma delas tem nome complicado: estenose do meato natal. Trata-se da oclusão parcial da uretra. “A glande do bebê fica exposta e em constante contato com a fralda, por isso acaba fechando”, detalha o médico. Em alguns casos, é preciso fazer outra operação para corrigir o problema. Na vida adulta, apesar do pós-operatório doloroso, o procedimento já é indicado para casos de fimose.

“Existem quatro graus da doença, sendo que nos dois primeiros o homem não consegue ter relações sexuais”, afirma Pous. Nos graus três e quatro, o problema está no excesso de pele, que pode atrapalhar a relação, mas não chega a impedir o ato.

Câncer de pênis

O tumor peniano atinge 2% dos homens no País. Parece pouco, mas as consequências são graves. No Hospital das Clínicas de São Paulo, cerca de 80% dos pacientes com a doença precisam ter o membro amputado. E a grande maioria dos casos poderia ser evitada com melhor higiene do órgão, processo facilitado em homens circuncidados.

“O benefício da operação é maior quando ela é realizada na infância, pois o câncer de pênis acontece por um processo cumulativo, uma agressão crônica ao órgão. É resultado de má higiene ao longo dos anos”, alerta Arap.

Apesar disso, o procedimento traz benefícios na vida adulta quando o homem sofre de repetidas infecções. Existe um sulco abaixo da glande, o sulco balanoprepucial, que pode inflamar por consequência de infestações por bactérias ou fungos. Isso é mais frequente quando a anatomia masculina apresenta o sulco acentuado, fato que dificulta sua limpeza. “Se o homem for operado, a limpeza fica mais fácil”, afirma Pous.

HIV e HPV

Estudos internacionais indicam que a circuncisão reduz em 60% o risco de infecção pelo HIV, vírus causador da AIDS. “O vírus penetra no corpo pela mucosa do pênis. Portanto, quanto menor a mucosa, menor o risco”, esclarece o urologista do Hospital Sírio-Libanês.

A mesma explicação vale para o HPV (papilomavírus humano), doença que também pode provocar amputações no homem e infertilidade ou câncer na mulher. Um estudo recente mostra que mulheres e namoradas de homens circuncidados têm um risco 28% menor de serem infectadas pelo vírus, se comparadas às companheiras de homens não operados. O trabalho realizado pela Universidade Johns Hopkins (EUA) foi publicado na revista científica Lancet.

“Estima-se que 30% das pessoas têm HPV, sendo que muitas delas não sabem desta condição”, alerta Arap. Como é indolor, o vírus pode se instalar e se alastrar despercebido pelo homem. Mas a circuncisão seria uma alternativa para reduzir este risco. Ainda não é possível quantificar o quanto reduziria o risco de transmissão porque foram feitos poucos estudos sobre o assunto, mas a proteção realmente existe.

Mesmo com a proteção comprovada contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), Arap enfatiza que não é uma proteção completa. Até a OMS, em suas campanhas em países africanos, ressalta que a proteção mais eficiente é o preservativo. No Brasil, o Ministério da Saúde lançou uma campanha no final do ano passado para incentivar o uso da camisinha entre jovens de 15 a 24 anos, visto que 40% deste grupo não usa o preservativo em todas as relações.

Os estudos internacionais apontam a eficácia parcial da circuncisão em relações heterossexuais, sendo que o mesmo não pode ser comprovado entre gays ou coito anal, por causar mais atrito e gerar mais fissuras.

Operação

O procedimento para realizar uma postectomia é simples. Em crianças é preciso dar anestesia geral, mas em adultos basta uma sedação combinada com anestesia local. “Dá para internar de manhã e receber alta no início da tarde”, afirma Pous.

A dor mais intensa dura cerca de uma semana e pode ser aliviada com medicamentos. É preciso esperar 15 dias para voltar a praticar exercícios intensos e esportes, e 30 dias para voltar a fazer sexo.

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