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Verão é a temporada das alergias

Excesso de calor e viagens de férias aumentam o risco de reações alérgicas

Bruno Folli, iG São Paulo

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Foto: Thinkstock/Getty Images

Camarão pode causar alergia ou reações parecidas por ter bactérias

Se houvesse uma época do ano para ser eleita a temporada da alergia, essa época seria o verão. O calor da estação somado a festas e viagens formam uma combinação perfeita para eclodirem as reações alérgicas.

O problema pode se manifestar na pele, devido ao contato com acessórios ou roupas. “O suor dilui as partículas das substâncias e isso facilita a absorção pelo corpo”, explica o dermatologista Agnaldo Augusto Mirandez, diretor da clínica Perfetta, em São Paulo.

É comum haver reação pelo contato com sulfato de níquel, material usado em colares, pulseiras e brincos. Não é raro haver pacientes que nunca tiveram reações alérgicas, no verão procurarem dermatologistas com reclamações de coceira, vermelhidão ou descamação.

O calor faz as pessoas suarem mais e, como também são comuns as roupas mais leves, há mais contato entre pele e acessórios. Uma combinação propícia às alergias, mesmo que seja algo totalmente inédito para a pessoa.

“Ninguém nasce alérgico. Essa é uma condição adquirida na vida”, esclarece o dermatologista. Isso ainda é algo pouco compreendido pelas pessoas, que causa estranheza.

Muitos pacientes alegam que sempre tiveram o hábito de usar determinados colares ou pulseiras e nunca tiveram problemas. Mas, de repente, o organismo começa a rejeitá-las. “A alergia nunca surge no primeiro contato com o agente alergênico. São necessários dois, três contatos. Às vezes até centenas”, afirma.

Esses primeiros contatos servem para o organismo identificar a substância e despertar os mecanismos de defesa, ocasionando a reação alérgica. O tempo necessário para haver uma reação vai depender da exposição àquilo que causa alergia, bem como da tolerância do organismo.

Maquiagens e cosméticos

Além do sulfato de níquel, a alergia pode ser causada por maquiagens e outros cosméticos. “Existe um teste de contato que ajudam a diagnosticar as alergias, quando há suspeita”, conta o dermatologista.

O teste é feito com filtros de papel colados nas costas, junto às substâncias suspeitas de causar alergia. O material é deixado lá por 48 horas para ver se surge alguma reação alérgica.

Isso é necessário, explica o dermatologista, porque alguns sintomas de alergia podem ser confundidos com uma simples irritação. “A alergia está ligada à intolerância do organismo a uma determinada substância. É algo que demora mais para acontecer. Enquanto a irritação é mais imediata, ligada ao atrito ou à exposição a uma substância forte, como ácidos e bases”, diferencia o especialista.

Exposição ao sol

No verão, em especial, a exposição excessiva ao sol pode provocar uma reação comumente confundida com alergia. São as brotoejas. Elas obstruem a passagem do suor e isso causa coceira, vermelhidão e até bolhas na pele. Parece uma reação alérgica.

Mas só uma avaliação médica, possivelmente acompanhada por um teste, pode chegar ao diagnóstico preciso. Nos Estados Unidos, o Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas acaba de divulgar uma nova diretriz para auxiliar os médicos no tratamento e diagnóstico de pacientes alérgicos.

Especialistas do instituto explicam que existem exames de sangue, além dos exames de pele, capazes de diagnosticar alergias. Mas há risco de falso positivo. “É preciso avaliar o histórico médico da pessoa e confrontá-lo com os testes laboratoriais para um bom diagnóstico”, afirmou Hugh A. Sampson, um dos autores da diretriz, ao jornal New York Times.

Os testes padrões, explicou o especialista, são passíveis de erro especialmente quando aplicados em crianças com suspeita de alergia alimentar. “Há muita preocupação com diagnósticos exagerados, o que acreditamos que esteja acontecendo”, afirmou ele ao jornal norte-americano.

Os exames de sangue, por exemplo, são capazes de indicar sensibilidade a determinados alimentos. E, a partir destas informações, dietas bem restritivas podem ser adotas. O problema é que nem sempre a sensibilidade indicada nos exames se confirma numa alergia quando a pessoa ingere o alimento. Logo, a dieta restritiva pode ser desnecessária.

Isso tem sido um problema especialmente entre crianças. “Já notamos que cerca de 80% dos casos de intolerância ao leite ou aos ovos são superados”, afirma Sampson. Tal superação pode estar relacionada à maturidade do organismo. “Algumas enzimas ainda precisam ser formadas”, esclarece a nutricionista Patricia Ramos, coordenadora do serviço de nutrição e gastronomia do Hospital Bandeirantes. Corantes de gelatina e soja são outros alimentos que podem causar rejeição.

Bactérias e toxinas

Mas não são apenas crianças que estão sujeitas às alergias alimentares, elas podem acontecer com adultos também. Contudo, é mais raro haver casos de superação do problema porque não é mais possível contar com a maturação do organismo.

Mesmo assim, algumas falsas alergias podem desaparecer com alguns cuidados na cozinha ou na alimentação fora de casa. Frutos do mar, bastante consumidos em viagens à praia, representam risco por infestação bacteriana.

“As pessoas pensam que ingerir esses alimentos fritos é mais seguro, porque a alta temperatura mata as bactérias. Isso é verdade. Mas a fritura não elimina as toxinas liberadas pelas bactérias”, alerta a nutricionista. O mal-estar causado pela ingestão das toxinas pode ser confundido com o surgimento de uma alergia.

E não são apenas estes alimentos que estão sujeitos à contaminação, ela pode acontecer com saladas também. “A imersão em água com vinagre, além de lavar folha por folha, elimina as larvas, mas não exclui todos os riscos. É preciso usar também uma solução de hipoclorito (vendida em supermercados) para garantir a segurança do alimento”, recomenda a nutricionista.

Alimentos perecíveis representam outra ameaça. “Maionese, a base de ovos, e leite requerem atenção”, alerta. É preciso conservá-los em ambientes refrigerados, mesmo em casa. “Muitos casos de intoxicação acontecem em casa, por descuido com alimentos em casas de praia ou de campo. São locais mais quentes e com os quais a pessoa está menos acostumada a lidar”, afirma.

A lista de possíveis problemas no verão não é pequena. Muitos casos são, de fato, alergia, mas outros geram apenas sintomas parecidos. É preciso cuidado para evitá-los e uma avaliação médica para atestar se realmente se trata de uma alergia.

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