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Esquizofrenia

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Conteúdo exclusivo para o iG no Brasil e usado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos

Definição

A esquizofrenia é um transtorno mental que torna muito difícil fazer a distinção entre as experiências reais e imaginárias, pensar de forma lógica, ter respostas emocionais normais e se comportar normalmente em situações sociais.

Causas, incidência e fatores de risco

A esquizofrenia é uma doença complexa. Mesmo os especialistas da área não sabem ao certo a sua causa. Alguns fatores genéticos parecem estar envolvidos. As pessoas com familiares esquizofrênicos podem ter mais chance de desenvolver a doença também.

Foto: ADAM

Esquizofrenia

Alguns pesquisadores acreditam que os eventos ambientais podem desencadear a esquizofrenia nas pessoas que geneticamente já apresentam risco de ter a doença.

Uma infecção durante o desenvolvimento ainda no útero ou experiências psicológicas estressantes podem, por exemplo, aumentar o risco de a pessoa desenvolver o transtorno em algum momento da vida. O apoio familiar e social parece melhorar a doença.

A esquizofrenia afeta cerca de 1% das pessoas em todo o mundo. Ela ocorre igualmente em homens e mulheres, mas nas mulheres a esquizofrenia tende a começar mais tarde e ser mais branda.

Por essa razão, os homens normalmente representam mais da metade dos pacientes nos atendimentos de grandes quantidades de jovens adultos. Embora a esquizofrenia geralmente comece no início da fase adulta, existem casos em que o transtorno começa mais tarde (depois dos 45 anos).

A esquizofrenia com início na infância aparece depois dos 5 anos e, na maioria dos casos, após desenvolvimento normal. A esquizofrenia infantil é rara e pode ser difícil diferenciá-la de outros transtornos de desenvolvimento da infância, como o autismo.

Sintomas

A esquizofrenia pode apresentar uma grande variedade de sintomas. Geralmente, o transtorno se desenvolve lentamente durante meses ou anos. Assim como outras doenças crônicas, a esquizofrenia se alterna entre fases com menos e mais sintomas.

No início, você pode ficar tenso ou ter problemas para dormir ou se concentrar. Você pode se tornar uma pessoa isolada e reservada e ter problemas para fazer novas amizades ou manter as anteriores.

Com o desenvolvimento da doença, os sintomas psicóticos se desenvolvem:

  • Aparência ou humor que não demonstra nenhuma emoção (apatia)
  • Movimentos bizarros que não demonstram ser uma reação ao ambiente (comportamento catatônico)
  • Crenças ou pensamentos falsos que não têm base na realidade (ilusões)
  • Ver, ouvir ou sentir coisas que não existem (alucinações)

Problemas de raciocínio ocorrem com frequência:

  • Dificuldade de prestar atenção
  • Pensamentos que "pulam" entre assuntos que não estão relacionados (pensamento desordenado)

Os sintomas podem ser diferentes dependendo do tipo de esquizofrenia:

  • Os tipos paranoides geralmente sentem ansiedade, ficam furiosos ou briguentos com mais frequência e acreditam falsamente que pessoas estão tentando fazer mal a eles ou a seus entes queridos
  • Os tipos desorganizados apresentam dificuldade para raciocinar e expressar suas ideias claramente, geralmente apresentam comportamento infantil e com frequência demonstram pouca emoção
  • Os tipos catatônicos podem estar em um estado constante de agitação, não se mexer ou apresentar níveis de atividade baixos. Os músculos e a postura podem ser rígidos. Eles podem fazer caretas ou apresentar outras expressões faciais estranhas e podem reagir menos a outras pessoas
  • Os tipos indiferenciados podem apresentar sintomas de mais de um tipo de esquizofrenia
  • Os tipos residuais apresentam alguns sintomas, mas não tanto quanto as pessoas que estão em um episódio completo de esquizofrenia

As pessoas com qualquer tipo de esquizofrenia podem ter dificuldade de manter suas amizades e de trabalhar. Elas também podem apresentar problemas relacionados a ansiedade, depressão e pensamentos ou comportamentos suicidas.

Exames e testes

Um psiquiatra deve fazer uma avaliação para determinar o diagnóstico, que é feito com base em uma entrevista minuciosa com a pessoa e seus familiares.

Não existem exames médicos para detectar a esquizofrenia.

Fatores que podem sugerir o diagnóstico de esquizofrenia, mas não o confirmam:

  • Evolução da doença e duração dos sintomas
  • Alterações no nível de atividades antes da doença
  • Histórico de desenvolvimento
  • Histórico familiar e genético
  • Resposta à medicação

Tomografias computadorizadas da cabeça e outras técnicas de diagnóstico por imagem podem indicar algumas alterações que ocorrem junto com a esquizofrenia e descartar outros transtornos.

Tratamento

Durante um episódio de esquizofrenia, pode ser necessário hospitalizar o paciente por motivo de segurança e para que ele receba cuidados básicos, como alimentação, descanso e higiene.

MEDICAMENTOS

Os medicamentos antipsicóticos são o tratamento mais eficaz para a esquizofrenia. Eles alteram o equilíbrio das substâncias químicas do cérebro e podem ajudar a controlar os sintomas da doença.

Esses medicamentos são de grande ajuda, mas possuem efeitos colaterais. Entretanto, muitos desses efeitos podem ser tratados e não devem evitar que as pessoas busquem tratamento para essa grave doença.

Efeitos colaterais comuns dos antipsicóticos:

  • Sonolência (sedação) ou tontura
  • Ganho de peso e aumento do risco de diabetes e colesterol alto

Efeitos colaterais menos comuns:

  • Sentimentos de inquietação ou nervosismo intenso
  • Problemas para se movimentar e caminhar
  • Contrações musculares ou espasmos
  • Tremedeira

Um dos riscos a longo prazo dos medicamentos psicóticos é um distúrbio de movimento chamado discinesia tardia. Nessa doença, as pessoas apresentam movimentos que não conseguem controlar, principalmente na região da boca. Qualquer pessoa que acredite estar tendo esse problema deve procurar um médico imediatamente.

Para as pessoas que tentaram diversos antipsicóticos e não apresentaram melhora, o medicamento clozapina pode ser de grande ajuda. A clozapina é o medicamento mais eficaz na redução dos sintomas da esquizofrenia, mas também tende a causar mais efeitos colaterais do que outros antipsicóticos.

Como a esquizofrenia é uma doença crônica, a maioria das pessoas precisa receber medicamentos antipsicóticos para o resto da vida.

PROGRAMAS E TERAPIAS DE APOIO

Formas de terapia de apoio e direcionadas ao problema podem ser de grande ajuda para muitas pessoas. Técnicas comportamentais, como o treinamento de habilidades sociais, podem ser usadas durante a terapia ou em casa para melhorar as atividades sociais e profissionais.

Os tratamentos familiares que combinam apoio e educação sobre a esquizofrenia (psicoeducação) parecem ajudar as famílias a lidar com a situação e a reduzir as chances de os sintomas retornarem. Os programas que destacam os serviços de apoio social e para pessoas carentes podem ajudar aqueles que não recebem apoio da família ou de conhecidos.

Habilidades importantes para uma pessoa com esquizofrenia:

  • Aprender a tomar os medicamentos corretamente e a lidar com os efeitos colaterais
  • Aprender a reconhecer os sinais iniciais de uma recaída e saber como reagir quando ela ocorre
  • Lidar com os sintomas que se manifestam mesmo com o uso de medicamentos. Um terapeuta pode ajudar as pessoas com esquizofrenia a testar a realidade dos seus pensamentos e percepções.
  • Aprender habilidades para a vida diária, como treinamento profissional, administração de dinheiro, uso de transporte público, construção de relacionamentos e comunicação prática

Os familiares e cuidadores são frequentemente incentivados a ajudar as pessoas com esquizofrenia a continuar seguindo o tratamento.

Evolução (prognóstico)

Os resultados para uma pessoa com esquizofrenia são muito difíceis de prever. A maioria das pessoas acha que seus sintomas melhoram com os medicamentos, e algumas delas conseguem controlar bem os sintomas com o tempo. Entretanto, outras pessoas apresentam incapacidade funcional e correm o risco de apresentar episódios repetidos, principalmente durante os estágios iniciais da doença.

Para viver em sociedade, as pessoas com esquizofrenia podem precisar de moradia assistida, reabilitação profissional e outros programas de apoio social. As pessoas com as formas mais graves da doença podem ser incapazes de viver sozinhas e precisar de casas coletivas ou outras moradias de longo prazo com a estrutura adequada. Algumas pessoas com formas mais leves de esquizofrenia são capazes de ter relacionamentos e experiências profissionais satisfatórias.

Complicações

  • As pessoas com esquizofrenia apresentam alto risco de desenvolver um problema de abuso de substâncias. O uso de álcool ou outras drogas aumenta o risco de uma recaída e deve ser tratado por um profissional
  • Doenças físicas são comuns entre as pessoas com esquizofrenia por causa do estilo de vida de baixa atividade e efeitos colaterais dos medicamentos. As doenças físicas podem não ser detectadas pelo pouco acesso a cuidados médicos e pela dificuldade em conversar com os profissionais de saúde
  • Não tomar os medicamentos geralmente faz os sintomas voltarem

Ligando para o médico

Ligue para seu médico se:

  • Vozes estiverem pedindo para você se ferir ou ferir outras pessoas
  • Você sentir uma forte vontade de se ferir ou ferir outras pessoas
  • Estiver se sentindo desesperado ou desolado
  • Você estiver vendo coisas que não existem
  • Apresentar a sensação de não poder sair de casa
  • Não for capaz de cuidar de si mesmo

Prevenção

Não existe uma forma conhecida de prevenir a esquizofrenia. Se você tem a doença, a melhor maneira de impedir que os sintomas voltem é tomar a medicação prescrita e realizar consultas regulares com seu médico ou terapeuta. Sempre converse com seu médico se estiver pensando em mudar ou interromper o uso dos medicamentos.

Referências

Leucht S, Corves C, Arbter D, Engel RR, Li C, Davis JM. Second-generation versus first-generation antipsychotic drugs for schizophrenia: a meta-analysis. Lancet. 2009;373:31-41. Epub 2008 Dec 6.

Freudenreich O, Weiss AP, Goff DC. Psychosis and schizophrenia. In: Stern TA, Rosenbaum JF, Fava M, Biederman J, Rauch SL, eds. Massachusetts General Hospital Comprehensive Clinical Psychiatry. 1st ed. Philadelphia, Pa: Mosby Elsevier;2008:chap 28.

Atualizado em 7/2/2010, por: Linda J. Vorvick, MD, Medical Director, MEDEX Northwest Division of Physician Assistant Studies, University of Washington, School of Medicine; David B. Merrill, MD, Assistant Clinical Professor of Psychiatry, Department of Psychiatry, Columbia University Medical Center, New York, NY. Also reviewed by David Zieve, MD, MHA, Medical Director, A.D.A.M., Inc.

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