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Muitas atitudes de mães na gestação refletem na saúde e bem-estar da criança não somente dentro do útero

Quem está planejando engravidar ou já está grávida pode se beneficiar dessas informações. Algumas atitudes que a futura mamãe toma ainda na gravidez podem ajudar o bebê a nascer com um peso saudável, no tempo certo e ser uma criança mais ativa, por exemplo.

“A primeira coisa a se fazer, na verdade, é que a mulher planeje engravidar”, recomenda a ginecologista do Hospital Bandeirantes, Fernanda Araújo.

1. Ácido fólico

Fernanda diz que o ácido fólico é importante para a formação do tubo neural do bebê. Esse tubo é o que, no futuro, será a coluna vertebral. “Isso acontece muito no comecinho da gestação. Às vezes, a mulher nem sabe que está grávida e isso já está acontecendo”.

A alimentação do brasileiro costuma ser pobre em ácido fólico, então algumas mulheres têm deficiência. “Se houver um planejamento, conseguimos repor essa carência, já que conseguimos medir no sangue”, diz a ginecologista.

O ginecologista do Hospital Albert Einstein, Eduardo Cordioli, conta que o ácido fólico evita a anencefalia e mielomeningocele. “A mãe pode procurar alimentos enriquecidos com ácido fólico, talvez não seja necessário fazer a reposição”, diz.

2. Engravidar no peso adequado e não engordar muito

Engravidar no peso adequado é importante, segundo a ginecologista. “Sabemos que, uma mulher que ganha muito peso na gestação, tende a ter uma maior chance de um bebê obeso, não só no nascimento, mas no futuro”.

Além disso, a mulher que engorda muito na gravidez tem mais tendência a ter diabetes, e essa doença pode causar má-formação no bebê e até mesmo tirar a vida da criança na barriga da mãe, segundo a médica.

Cordioli explica que o excesso de peso pode causa prematuridade, pois pode deixar o bebê muito grande. Além disso, pode dificultar o parto natural.

O contrário - engordar pouco demais -  também é prejudicial para a criança. “Faz com que o bebê nasça restrito, tenha dificuldades respiratórias no começo da vida fora do útero e com mais chance de ter icterícia, precisando de tratamento com fototerapia, diz Fernanda.

3. Suplementar ferro

“O polivitamínico em geral é importante. Em particular o ferro, porque é um dos nutrientes mais necessários durante o crescimento do bebê. A mãe pode ficar anêmica se não tiver ferro”, diz Fernanda. Essa suplementação é feita durante a gestação inteira. Segundo a médica, é importante também para a hora do parto, já que há uma perda sanguínea – seja ele natural ou cesárea. “É preciso ter uma reserva para a amamentação”.

A vacinação em dia é fundamental
Thinkstock/Getty Images
A vacinação em dia é fundamental

4. Vacinação

Estar com a vacinação em dia é importante para a mulher que está tentando engravidar ou já está grávida. No entanto, quando ela está com o calendário básico fora de ordem, algumas vacinas não podem ser aplicadas durante a gestação.

Outras, como a vacina da gripe, podem ser feitas durante a gestação. “Hoje em dia, estamos aplicando a vacina contra coqueluche para ela não ter essas infecções durante a gravidez e passar um pouquinho da proteção para o bebê”, diz Fernanda. “Os anticorpos também passam na amamentação. Por isso, é importante amamentar, já que é a primeira imunidade”.

5. Controlar a tireoide

Quem tem problemas na tireoide deve redobrar o cuidado e seguir à risca a recomendação médica. “Quando a tireoide não está funcionando de forma correta, podemos produzir mais ou menos hormônios, e isso acaba influenciando na tireoide do bebê também”, diz Fernanda.

6. Não se estressar

Quando a grávida se estressa, o bebê se estressa junto. “É realmente bom ter o emocional controlado, diminuir esse estresse por meio da atividade física, ter um bom relacionamento com o pai do bebê”, diz Fernanda.

“Sabemos que alguns hormônios passam pela placenta, então, se a mãe libera adrenalina, o bebê acaba tendo uma taquicardia por meio dos próprios hormônios da mulher”, diz a ginecologista. Ela ressalta que, se a mãe está bem, ela libera endorfina, que é passada para o bebê. “É um hormônio do prazer”, diz.

Música clássica pode tornar o bebê uma criança mais inteligente
Getty Images
Música clássica pode tornar o bebê uma criança mais inteligente

7. Estimular o bebê com música e sons

Depois que passa a fase de formação, que corresponde aos três primeiros meses, o bebê começa a ouvir alguns ruídos. “Ouvir música, estimular o bebê e conversar com ele é importante”, diz a ginecologista. “Estudos dizem que a música clássica deixa as crianças mais inteligentes – se é que isso é possível de medir -, mas fazem essa relação também por causa do estímulo”, conta ela.

Os primeiros sons que o bebê ouve são aqueles mais graves. “Por isso que os pais costumam dizer que quando conversam com o bebê, ele chuta. É verdade, ele está reconhecendo o tom grave do pai”.

8. Ingerir ômega 3

Fernanda diz que alguns novos estudos estão relacionando a ingestão adequada de ômega 3 - por meio de vitaminas ou por alimentação - , a bebês mais inteligentes. “Existe uma recomendação de obstetras para qual ômega 3 a usar, no caso de suplementação, já que alguns tipos são mais absorvidos do que outros”, conta. A própria alimentação, por meio de peixes e frutos do mar, também tem bastante ômega 3.

9. Ter cuidado com alimentos orgânicos

O ginecologista do Hospital Albert Einstein diz que os alimentos orgânicos, por não conter agrotóxicos, podem ter fezes de animais e transmitir doenças. “É bom evitar alimentos orgânicos nessa fase, comer sempre alimentos bem lavados e bem cozidos”, diz Cordioli.

10. Jamais beber e nunca fumar

“Não há uma quantidade aceitável tanto do cigarro quanto do álcool”, alerta Fernanda.

Jamais fumar ou beber
BBC
Jamais fumar ou beber

O cigarro pode fazer a mesma coisa que uma má alimentação: fazer com que o bebê nasça com baixo peso. “Ele faz os vasos se contraírem, então, diminui o fluxo de sangue para o bebê, e pode fazer a placenta envelhecer mais rápido, causando parto prematuro”, diz a ginecologista.

Já o álcool pode causar má formação no bebê se for usado nos três primeiros meses. “E depois, se for usado cronicamente, o bebê meio que bebe junto e, quando nasce, tem uma síndrome de abstinência, com dificuldade para respirar, baixa de açúcar no sangue”, alerta a médica.

11. Maneirar na cafeína

Como a cafeína é um estimulante, ela causa uma vasoconstrição que pode diminuir o fluxo de sangue para a placenta. “Acabamos liberando um copo de café por dia, mas temos de lembrar às pacientes que há cafeína no café, chá mate, chá preto e chimarrão”.

12. Remédio com prescrição médica

Automedicar-se na gravidez é aumentar consideravelmente a chance de causar danos ao bebê. “É importante só tomar remédios receitados por um médico que saiba que a mulher está grávida”, recomenda. A médica cita que antiinflamatórios de venda livre, como o ibuprofeno, são proibidos na gravidez. E a gama proibida é extensa.

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