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Cientistas escoceses estão estudando dispositivo para adaptá-lo o suficiente até que seja capaz de matar células pré-cancerosas causadas pelo vírus

Tratamento contra HPV promete ser menos invasivo do que os já oferecidos para mulheres com câncer de colo de útero
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Tratamento contra HPV promete ser menos invasivo do que os já oferecidos para mulheres com câncer de colo de útero

Um novo dispositivo usado no tratamento de verrugas genitais também poderá ser eficaz para eliminar células pré-cancerosas causadas pelo HPV. A infecção sexualmente transmissível (IST) também conhecida como Papilomavírus Humano é a mais comum existente e a principal responsável pelo câncer do  colo do útero - terceiro tipo de tumor com maior índice na população feminina no Brasil , segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Produzido por fabricantes escoceses, o aparelho que promete ser eficaz contra o HPV já tratou mais de 10 mil mulheres no ano passado no Reino Unido. Seu funcionamento é a partir de micro-ondas que emitem uma baixa dose de energia, mas que são suficientemente agressivas para combater as verrugas genitais.

A partir desse mecanismo, especialistas do MRC - Center for Virus Research da Universidade de Glasgow, na Escócia, estão trabalhando para que o método também funcione contra as células que formam o tumor .

A grande vantagem da ferramenta é que, caso funcione contra as verrugas do HPV, possibilitará um tratamento menos invasivo para mulheres. Isso porque, atualmente, quando células pré-cancerosas são detectadas no colo do útero , o procedimento, além de doloroso, envolve a remoção cirúrgica a laser de tecido doente.

Dispositivo já é usado em alguns países para eliminar verrugas genitais benignas; em 2017, 10 mil mulheres foram tratadas no Reino Unido
Divulgação/Emblation
Dispositivo já é usado em alguns países para eliminar verrugas genitais benignas; em 2017, 10 mil mulheres foram tratadas no Reino Unido

Testes de laboratório já estão em andamento em Glasgow. Se bem-sucedida, a pesquisa também poderá combater o vírus do papiloma bovino - uma causa da eutanásia equina que atinge 7% dos cavalos na Europa.

“Estamos muito satisfeitos em trabalhar com a emulação para testar o dispositivo de micro-ondas. Nós planejamos avaliar se o dispositivo pode interromper o HPV e se há um efeito sobre os tecidos pré-cancerosos e cancerosos infectados pelo vírus”, informou a professora Sheila Graham, da Universidade de Glasgow.

"Além de validar o potencial clínico da ferramenta, nossa pesquisa também lançará nova luz sobre como as doenças associadas ao HPV surgem”, ressaltou Graham.

Estima-se que 80% das pessoas têm ou terão algum contato com o HPV, porém, nem todas as infectadas desenvolvem doenças relacionadas ao vírus. No entanto, ainda não se sabe exatamente o que provoca essa pré-disposição para condições causadas pelo Papilomavírus Humano.

O diretor de pesquisa e desenvolvimento da Emblation, fabricante do produto, Matt Kidd acrescentou que o novo projeto é uma "oportunidade emocionante" para a empresa e para a ciência.

"Nosso dispositivo tem o potencial de enfrentar os desafios associados ao tratamento das condições pré-cancerosas do colo do útero. Esse estudo é um passo decisivo na evolução da nossa plataforma de tecnologia de micro-ondas".

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Câncer do colo do útero

A doença se trata de uma desestruturação das células dos revestimentos interno e externo do canal do colo uterino que, na maioria dos casos, é causada pelo Papilomavírus Humano, transmitido por via sexual.

Porém, nem sempre o fato de ter o diagnóstico de infecção genital pelo vírus significa que a mulher terá o câncer. Especialistas reforçam que, apesar de ainda não estar claro para a medicina todos os fatores que colaboram com a progressão ou regressão da infecção, aspectos ligados à imunidade, genética, comportamento sexual e tabagismo podem influenciar na evolução para o câncer.

Apesar de ser assintomática, alguns sintomas como corrimento, coceira, dor durante a relação sexual, sangramentos, aumento do fluxo menstrual e alteração de odores podem ser indícios da doença. Em estágios avançados, pode causar emagrecimento e alteração dos hábitos intestinal e urinário.

Depois de diagnosticado, o tratamento do câncer cervical é feito com cirurgias, radioterapias e quimioterapias, de acordo com o estágio de desenvolvimento da doença.

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