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Exercícios em jejum: pode?

Malhar de estômago vazio faz mais mal do que bem, mas também pode ter benefícios

Bruno Folli, de Curitiba | 07/08/2010 15:31

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Foto: Getty Images Ampliar

Comer algo leve antes de malhar segue sendo a atitude mais correta

Quem está querendo perder peso já sabe muito bem que é preciso combinar exercícios com dieta. Ao comer menos, se ingere uma quantidade menor de calorias e, ao praticar atividades físicas, é possível gastá-las.

Com base nessa equação simples de entender, alguns apressadinhos na corrida pelo corpo ideal resolvem pular o café da manhã e suar a camiseta ainda em jejum. Mas será que todo esse sacrifício vale a pena?

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“Depende da intensidade do exercício”, responde o nutrólogo Carlos Alberto Werutsky. Ele esclarece que o exercício em jejum pode trazer mais prejuízos do que benefícios, se realizado na dose errada.

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Especializado em medicina do esporte, Werutsky apresentou uma palestra sobre o tema no 22º Congresso Brasileiro de Medicina do Exercício e Esporte, que termina hoje, (7/8) em Curitiba (PR).

Fôlego

O segredo do exercício para quem está realizando uma dieta com redução calórica está no controle da intensidade. Ela deve ser de leve a moderada, e não pode passar de uma hora por dia. Uma caminhada, por exemplo, deve ser feita sem que a pessoa chegue a ficar ofegante.

“Tem de conseguir conversar durante o exercício, caso contrário a intensidade está muito elevada”, afirma o médico.

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E se estiver mesmo elevada, o que acontece? O primeiro sinal é uma queda no desempenho da atividade. “É como acelerar um carro no ponto-morto, o atleta não vai avançar”, comenta.

O objetivo do esforço em quem aposta na dobradinha “menos comida e mais exercícios” é queimar aquelas gordurinhas indesejadas. Se a intensidade está elevada demais, no entanto, elas podem permanecer ali, quase intactas, enquanto o desgaste vai todo para a massa muscular.

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Isso acontece quando o exercício usa toda a reserva de carboidratos complexos do músculo, o chamado glicogênio muscular. Sem essa reserva de energia, o organismo começar a se utilizar da proteína muscular para se manter funcionando. Ou seja, ele passa a queimar a massa magra, a massa muscular, em vez de gordura.

Bom para o gordo, ruim para o obeso

O exercício em jejum, no entanto, apresenta bons resultados em pessoas com sobrepeso. “O organismo retira a gordura do músculo, e o músculo repõe essa gordura usando as reservas do tecido adiposo (os pneuzinhos indesejados do corpo)”, descreve o nutrólogo.

Mas atenção: obesos não usufruem do mesmo benefício. “O músculo tem dificuldade em funcionar na pessoa obesa”, afirma Werutsky. O processo benéfico a quem tem sobrepeso acontece de forma mais lenta nos obesos. Assim, eles acabam queimando menos gordura ao realizar a mesma atividade física. Em contrapartida, sofrem uma perda maior de água.
“Parece que eles estão emagrecendo, mas é apenas água que perderam”, conta.

Preparo

Você pode acordar, escovar os dentes e sair para caminhar sem comer nada. O exercício em jejum é válido, dentro de algumas condições, mas precisa ser feito com algum preparo. O primeiro deles é um bom jantar na noite anterior. Se você comeu pouco e acordou com muita fome, nada de exercícios antes de se alimentar. Isso pode colocar a saúde em risco. Fadiga e câimbras fazem parte do desjejum de quem desobedece a essa regra.

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O sintoma seguinte também é desagradável: tontura. Podem ocorrer até desmaios. Outra recomendação médica é aumentar a atividade física gradualmente, sem nunca ultrapassar uma hora de caminhada, feita com intensidade leve a moderada.

“O importante é ter em mente que não é a refeição feita ou não feita antes do exercício que vai definir o resultado da atividade física. Emagrece que tem um balanço energético negativo nas 24 horas do dia”, resume o nutrólogo.

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