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Algumas atividades podem ajudar a prevenir doenças como o infarto, mas a liberação para a prática de exercícios físicos deve ser feita por um cardiologista e um preparador físico

Além da alimentação controlada, evitar o sedentarismo é essencial para quem está em busca da saúde do coração. Inclusive, existem tipos de atividades que podem auxiliar no fortalecimento do coração, já que interferem em uma série de aspectos que impactam diretamente no organismo e no bom funcionamento do principal órgão do corpo humano.

Exercícios ajudam a manter a boa saúde do coração
Frutas & Saúde
Exercícios ajudam a manter a boa saúde do coração


Segundo o cardiologista e diretor de relacionamento com o mercado do Laboratório Sabin, Anderson Rodrigues, é preciso ter em mente que a prática de exercícios físicos é muito importante para a saúde. No entanto, não são as atividades que vão evitar o desenvolvimento da hipertensão, já que o problema está relacionado a outros hábitos e mesmo ao condicionamento hereditário. Mesmo assim, a prática de exercícios é fundamental para quem está em tratamento do problema. “A realização de atividade física regular traz diversos efeitos benéficos, principalmente a redução da pressão arterial. Assim, o paciente hipertenso pode diminuir a dosagem dos seus medicamentos anti-hipertensivos ou até ter a sua pressão arterial controlada, sem a adoção de medidas farmacológicas”, explica. 

O especialista destaca que os exercícios são importantes em diversos aspectos, e relaciona os maiores benefícios deles: 

1- Promovem a produção e a liberação de substâncias PROTETORAS (como o óxido nítrico – vasodilatador), as quais vão exercer efeitos protetores nas paredes (endotélio) das artérias; 

2 - Previnem a disfunção endotelial, que é a base para todo o processo aterosclerótico – “entupimentos”. Assim, os aspectos acima implicarão:

- Melhora da capacidade funcional;

- Redução dos quadros de angina;

- Melhora da isquemia/angina induzida por esforços físicos;

- Além da redução de alguns fatores de risco cardiovasculares;

- Também, melhoria: no condicionamento cardíaco/ físico; no bem-estar social; no nível de saúde e na qualidade de vida. 

3 - Previnem e reduzem o risco de inúmeras doenças – inclusive as cardiovasculares. 

O preparador físico da Ziva Brasil, Felipe A. T. Kutianski, ratifica as orientações do cardiologista, explicando que os benefícios da prática de exercícios físicos vão muito além, já que ajudam a melhorar a circulação sistêmica, podendo promover um aumento do fluxo sanguíneo e sua distribuição de oxigênio, além de outras alterações morfológicas benéficas e importantes para o corpo humano. 

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Por meio de uma vida regrada, algumas doenças cardíacas que ocorrem em decorrência da pressão alta ou de outros problemas cardiovasculares podem ser evitadas, como o infarto. Sabe-se que o ataque do coração é uma das doenças cardiovasculares que mais matam no mundo e é apontado como um grande vilão na vida de muitos brasileiros. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 mil pessoal morrem anualmente no Brasil por conta do ataque do coração. 

O doutor Luiz Antonio Rivetti, professor de cirurgia cardiovascular na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, destaca que o problema está associado ao entupimento agudo de uma artéria responsável por irrigar o coração, gerando a falta de oxigenação, de nutrientes e sangue. "Com o aumento da obstrução da artéria coronária, o sintoma mais comum aparece: a dor no peito. Este é um sinal importantíssimo que certamente ocasionará o infarto", alerta. 

É importante destacar que o aparecimento dos sintomas de infarto está fortemente relacionado ao fator da faixa etária. O Dr. Rivetti explica que os índices são predominantes entre as idades de 50 e 70 anos, marcando a transição para a terceira idade. No entanto, nos dias de hoje, é possível observar também sintomas em pessoas entre 40 e 50 anos, especialmente por conta do estilo e da (falta) de qualidade de vida. 

O diretor de relacionamento com o mercado do Laboratório Sabin ainda explica que os exercícios podem contribuir na prevenção de derrames e infartos, mas é preciso entender que um acompanhamento médico vai ajudar a investigar e controlar outros fatores de risco que podem vir a piorar o quadro de saúde de um indivíduo. 

“Dislipidemias (HDL baixo, LDL elevado, Triglicerídeos elevados etc.), pressão alta, tabagismo, obesidade/ sobrepeso, estresse/ansiedade, diabetes, doença periodontal, poluição, crise econômica, histórico familiar de doenças cardiovasculares são alguns dos exemplos que podem e devem ser acompanhados para evitar problemas de saúde mais graves”, diz. 

Por este motivo, o doutor Rivetti explica que o check-up anual é um hábito extremamente importante. Visitas anuais a consultórios e laboratórios médicos são indicadas para pessoas que não possuem históricos de doenças que podem ajudar a ocasionar o infarto. Para pacientes com histórico, é indicado uma adoção mais regular da medida. Além disso, claro, é válido investir na prática de exercícios aeróbicos. “Esse tipo de atividade deve ser exercida regularmente, pois auxilia na melhor oxigenação das células musculares e no elevado gasto calórico. Podem ser caminhadas, natação, ciclismo, corrida e entre outras”, acrescenta. 

Intensidade e modalidade

Corrida de rua
iStock
Corrida de rua


Afinal, como definir a rotina de exercícios físicos?

Antes de tudo, é preciso lembrar que ao dar início a qualquer modalidade esportiva, é importante ter a liberação por parte de um cardiologista, uma vez que existem diversos cuidados que são direcionados para cada indivíduo, de acordo com doenças associadas e faixa etária.

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O preparador físico Kutianski ainda acrescenta que o médico, em conjunto com um professor de Educação Física preparado, indicará a melhor modalidade que o cardiopata poderá praticar no momento. “Existem trabalhos científicos relacionando cardiopatas com ótimos resultados na prevenção e tratamento como: ioga, musculação, hidroginástica, natação, pilates e caminhadas. É importante lembrar que não é o exercício físico que é contraindicado ao aluno, muito pelo contrário: é o aluno que é contraindicado ao exercício”, explica.

O cardiologista e diretor de relacionamento com o mercado do Laboratório Sabin, doutor Anderson Rodrigues, ainda explica que a “melhor” atividade física para os pacientes tem a ver com alguns fatores específicos. Primeiramente, vale destacar que é preciso ter uma continuidade da prática do exercício físico. Essa constância estará diretamente ligada à escolha por uma atividade física que implique prazer ao praticante, outro fator que impactará positivamente na adesão e assiduidade do paciente.

“Além disso, a Diretriz em Cardiologia do Esporte (SBC) traz a informação de que a prescrição de programas de exercícios aeróbicos é a que traz melhores benefícios para o sistema cardiovascular e para o controle dos fatores de risco. Esse tipo de programa é caracterizado por exercícios cíclicos de grandes grupamentos musculares, como é o caso de atividades como caminhadas, corridas, natação, ciclismo, dança, hidroginástica, entre outros”, explica.

No caso da frequência, a Diretriz recomenda exercícios físicos de três a cinco vezes por semana, sendo que em alguns grupos (hipertensos e obesos) a frequência pode ser até sete vezes semanais. Já o Colégio Americano de Medicina do Esporte recomenda uma atividade física mínima de 30 minutos diários com uma frequência mínima de três vezes na semana.

Kutianski ainda explica que o principal cuidado deve ser realmente com relação ao acompanhamento de especialistas. Em sua visão, o grande problema da prática de exercícios físicos está em iniciar uma atividade física moderada ou intensa sem conhecer o próprio corpo e seus limites. Muitas pessoas que iniciam em uma modalidade esportiva não fazem a mínima ideia se estão ou não com uma saúde apta para aquela modalidade escolhida. “Já existem alguns estudos relacionando hipertrófica cardíaca com o treinamento com pesos, ou seja, ao longo de muitos anos de treino pesado e toneladas levantadas, uma das consequências negativas disso tudo é o aumento do ventrículo esquerdo do seu coração, podendo ocorrer inúmeros problemas futuros”, destaca o preparador físico.

Mas nem tudo é preocupação, já que, com uma avaliação correta e acompanhamento, os exercíciosfísicos só contribuem com benefícios para a saúde. Existem algumas opções seguras e fáceis para os pacientes realizarem em casa sem muitos problemas, desde que tenha a liberação de seu cardiologista e uma orientação por parte de um profissional de educação física.

Confira as dicas do preparador físico:

- Saltar cordas;

- Asánas específicos do ioga;

- Trabalhos com alongamentos e isometrias;

- Exercícios calistênicos como: flexões e pranchas abdominais;

- Treinos de corridas contínuos ou intervalados, dependendo da capacidade cardiovascular no momento.

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